COPA DO MUNDO

Com primeira fase regular, seleção precisa evoluir nas oitavas da Copa

Apesar de a defesa brasileira ter apresentado boa performance, o trio ofensivo (Neymar, Willian e Gabriel Jesus) seguem devendo

Filipe Farias
Filipe Farias
Publicado em 29/06/2018 às 7:56
Foto: Fifa/ divulgação
Apesar de a defesa brasileira ter apresentado boa performance, o trio ofensivo (Neymar, Willian e Gabriel Jesus) seguem devendo - FOTO: Foto: Fifa/ divulgação
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A primeira fase da seleção brasileira na Copa do Mundo não foi perfeita, mas passou longe de ser preocupante. É verdade que os comandados de Tite deixaram a desejar logo na estreia, no empate diante da Suíça, mas nas duas partidas seguintes (Costa Rica e Sérvia) eles confirmaram o favoritismo com apresentações consistentes e asseguraram a primeira colocação do Grupo E, com sete pontos conquistados. Contudo, o time canarinho ainda carece de alguns ajustes para chegar forte no mata-mata. O próprio treinador tem ressaltado nas coletivas que a seleção está em processo de evolução, não só enquanto time (coletividade), como também em peças (individualidade).

“Essa equipe criou expectativa alta porque arrebentou durante a fase de classificação e nos amistosos recentes. Só que ela vem para uma Copa do Mundo, que é um novo ciclo, um novo formato de competição. Queria que arrebentasse como arrebentou no segundo tempo contra Croácia e Áustria, sendo que o Mundial tem uma característica diferente”, falou Tite.

Mesmo ainda em crescimento na competição, o Brasil está no topo de aproveitamento em alguns fundamentos nessa Copa do Mundo. Os comandados de Tite aparecem na segunda posição no que se refere a número de tentativas, com 56 arremates, sendo 19 delas em gol. Os brasileiros também surgem como a terceira equipe que mais ficou com a posse de bola: foram 111 minutos e quatro segundos nos três jogos disputados - só ficou atrás de Alemanha (121’33”) e Espanha (114’34”). Esse período com a bola no pé rendeu ao Brasil 1.884 trocas de passes (1.678 certos), também ficando em terceiro nesse quesito, atrás das mesmas seleções citadas anteriormente.

Na verdade, os três fundamentos se complementam: com mais posse de bola, maior a possibilidade de criar as jogadas ofensivas e mais oportunidades de se concluir em gol. Além disso, essa estratégia também ajuda lá atrás, no setor defensivo. O contexto é o mesmo. Com o controle da bola, o Brasil evita que os adversários lhe ataquem. Basta analisar os números defensivos dos brasileiros: é a segunda equipe que menos sofreu gols na Copa do Mundo (1), atrás apenas do Uruguai que ainda não foi vazado. O goleiro Alisson, por sinal, só fez duas defesas - perde para De Gea, da Espanha, que teve apenas uma participação ativa.

Os números expõem, dentre outras coisas, que a seleção tem conseguido manter o equilíbrio entre os setores. Com o balanço defensivo (recomposição) e ofensivo (contra-ataque). Apesar de alguns desfalques nas laterais por lesão: Daniel Alves, cortado; e durante a Copa, Danilo (quadril) e Marcelo (lombar), a defesa se houve bem.

INDIVIDUALMENTE

Enquanto os holofotes estavam todos direcionados para Neymar e seus constantes e duvidosos cortes de cabelo, dentro de campo quem arrebentou mesmo foi o tímido Philippe Coutinho. Discreto, o camisa 11 tem sido o “cara” da seleção no Mundial. Autor de dois gols e de uma linda assistência para Paulinho marcar contra a Costa Rica, o meio-campista tem ofuscado o jogador mais caro do mundo.

Apesar do gol feito diante da Costa Rica e do escanteio cobrado para Thiago Silva marcar contra a Sérvia, Neymar ainda não assumiu o protagonismo que lhe cabe e, para piorar, ainda colecionou algumas marcas negativas. Na Rússia, o camisa 10 vem mantendo o seu histórico de indisciplina e está pendurado com um cartão amarelo. Ainda carecendo de ritmo (ficou três meses em recuperação), o atacante tem ficado bastante em impedimento (é o primeiro na Copa, com cinco infrações).

No mata-mata, Willian e Gabriel Jesus precisam mostrar mais futebol, pois, caso contrário, correm o risco de perderem a posição para Renato Augusto e Firmino contra o México.

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