Contra a violência

Ministério começa cadastro biométrico de torcidas organizadas

Governo quer tirar "organizados" do anonimato e proporcionar uma ferramenta a mais para a responsabilização criminal

Moisés Holanda
Moisés Holanda
Publicado em 12/05/2011 às 16:54
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O Ministério do Esporte inicia por Curitiba o cadastro biométrico de integrantes de torcidas organizadas, com o objetivo de tirá-los do anonimato e proporcionar uma ferramenta a mais para a responsabilização no caso da prática de alguma atividade ilícita. "Vai ser bom para as torcidas, para os clubes e para a sociedade como um todo", disse o coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa do Consumidor, procurador Ciro Expedito Scheraiber.

Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que deu início à parceria, foi assinado nesta quinta-feira pela Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor com os representantes das torcidas organizadas Império Alviverde (Coritiba), Fúria Independente (Paraná Clube), Fanáticos e Ultras (ambas do Atlético Paranaense). O TAC também foi assinado pelo assessor especial do Ministério dos Esportes, Ricardo Gomyde, e pelo consultor do ministério para o projeto Torcida Legal, Alexandre Limeira.

Segundo Limeira, os sócios dessas torcidas organizadas poderão fazer o cadastramento no site do projeto. Depois será indicado um local em Curitiba onde eles comparecerão para apresentar documentos, tirar foto e registrar as informações biométricas. Isso deverá acontecer a partir da primeira quinzena de junho. Antes de os cadastrados receberem as carteiras, os nomes serão submetidos às diretorias das torcidas. Ainda não há data para que o projeto seja implementado em outros Estados. A meta é cadastrar 500 mil pessoas de 475 torcidas ao redor do País nos próximos 12 meses.

O Ministério do Esporte comprometeu-se a conversar com os diretores dos clubes para que locais sejam destinados em cada estádio às torcidas organizadas. Ali somente terão acesso aqueles que tiverem feito a carteira e forem identificados biometricamente - dos três clubes de Curitiba, o único que não permite a entrada de torcidas organizadas nos estádios é o Coritiba. O ministério também está realizando licitação para adquirir as catracas capazes de fazer a leitura e para fornecer câmeras de monitoramento. Elas serão fornecidas em comodato aos clubes que se interessarem.

O promotor Maximiliano Deliberador disse que a intenção é dar "ar de legalidade" às torcidas organizadas, cuja existência é prevista pelo Estatuto do Torcedor. "Queremos uma torcida não apenas de fato, mas de direito", salientou. Para o presidente da Império Alviverde, Luiz Fernando Correa, o cadastro é um mais um "mecanismo" para evitar a violência. Já o presidente da Fanáticos, Julião Sobota, ressaltou que a diretoria poderá ter um controle sobre os cadastrados, deixando a polícia mais livre para atuar contra outras pessoas que pretendam praticar violência.

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