Violência

Membros da Torcida Jovem vão sentar no banco dos réus

Ministério Público de PE denunciou nove integrantes da torcida, incluindo o seu presidente, por formação de quadrilha

Alexandre Arditti e Luana Ponsoni
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Alexandre Arditti e Luana Ponsoni
Publicado em 22/12/2015 às 7:09
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Ministério Público de PE denunciou nove integrantes da torcida, incluindo o seu presidente, por formação de quadrilha - FOTO: JC Imagem
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Nove membros da torcida organizada Jovem do Sport, incluindo o presidente Henrique Marques Ferreira, vão responder na Justiça pelo crime de associação criminosa (artigo 288 do Código Penal), que prevê pena de um a três anos de prisão. Seis deles ainda foram denunciados por roubo e promoção de tumulto. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) encaminhou o caso, no início da tarde desta segunda-feira (21), para a 9ª Vara Criminal da Capital. Essa é a primeira vez no Nordeste que torcedores de uniformizadas vão parar no banco dos réus acusados de formação de quadrilha.

Todos vão responder ao processo em liberdade. A denúncia do MPPE é baseada no único inquérito concluído até agora pela Operação Arquibancada, deflagrada pela Polícia Civil em 28 de outubro com a finalidade de combater crimes cometidos por membros de organizadas no Estado. O caso em questão é uma briga em frente ao Imip, no dia 18 daquele mês, entre integrantes da Jovem do Sport e da Galoucura, a principal uniformizada do Atlético-MG.

Dos nove acusados pelo MPPE, dois (Pedro Alves e Rhennan Batista) foram presos durante a operação portando revólveres calibre 38 dentro da sede da Jovem, na Boa Vista. Já o presidente Henrique Marques Ferreira foi denunciado por ser uma espécie de “cabeça” da organização criminosa. Enquanto o processo durar, ele ficará afastado do cargo e proibido de entrar no prédio da torcida. Os outros seis foram identificados nas investigações da Polícia Civil como participantes do confronto no Imip.

“Eles se reúnem em grupo para cometer crimes. As investigações provam isso com detalhes. Se isso não é quadrilha, o que será quadrilha?”, indagou o promotor do MPPE Marcos Carvalho, autor da denúncia à Justiça. No caso dos outros inquéritos em curso na Arquibancada – alguns devem ser concluídos na semana que vem –, ele acredita que terá novamente elementos suficientes para denunciar os membros da organizadas no crime de associação criminosa. 

“Esse é um trabalho que não termina aqui. Ao contrário, está só começando. É uma briga de gato e rato. Esse raciocínio que empregamos agora (da formação de quadrilha) se estenderá aos outros inquéritos”, garantiu o promotor. “É uma resposta à sociedade. Os que se associavam às organizadas para cometer crimes acreditando na impunidade agora vão sentir o peso da mão de ferro do Estado”.

Na denúncia oferecida à Justiça, o promotor Marcos Carvalho arrolou como testemunhas os presidentes em exercício dos três principais clubes pernambucanos – João Humberto Martorelli (Sport), Glauber Vasconcelos (Náutico) e Alírio Moraes (Santa Cruz) –, além do presidente da Federação Pernambucana de Futebol (FPF), Evandro Carvalho. Eles serão intimados a dar os seus depoimentos sobre a relação que nutrem com as organizadas e quais as consequências dos atos de violência promovidos por elas.

A denúncia do MPPE à Justiça foi comemorada pelo delegado Paulo Moraes, que está à frente das investigações da Operação Arquibancada. “Mais feliz impossível. Depois de tanto trabalho, conseguimos concluir uma etapa. O cerco a esses marginais está se fechando. A sociedade tem que comemorar esse gol que marcamos”, afirmou.

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