DOSSIÊ ORGANIZADAS

O caminho para a solução das torcidas organizadas

No encerramento da série, as ações apontadas pelos especialistas

Leonardo Vasconcelos e Haim Ferreira
Leonardo Vasconcelos e Haim Ferreira
Publicado em 13/07/2016 às 8:00
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Há 15 anos, desde a primeira morte relacionada às organizadas, a rotina é a mesma após os episódios de violência: os clubes culpam as autoridades, que, por sua vez, culpam as torcidas, que culpam a polícia. Enquanto isso, a população, no meio do fogo cruzado, permanece refém. E o jogo de “empurra-empurra” se arrasta. 

No último dia da série, o JC ouviu os principais especialistas do assunto no País e traz exemplos do que já foi implementado com sucesso dentro e fora do Brasil. Baseados nas opiniões dos estudiosos, resumimos o que seriam os sete passos para tentar solucionar de uma vez por todas o problema da violência desses grupos. 

(COLOCAR OS 7 PONTOS DOS ESPECIALISTAS)

CLUBES E FPF DIVERGEM

Dos clubes pernambucanos, o único que, de fato, rompeu e enfrentou as organizadas até agora foi o Sport. Único. O que muitos acham que deveria ser regra, é exceção. Desde quando assumiu o clube, em dezembro de 2013, o presidente rubro-negro João Humberto Martorelli comprou a briga e bateu de frente com as facções. Acabou com espaços na sede, cessão de ingressos, excluiu do quadro de sócios e, recentemente, acionou a Justiça para impedir a presença da Torcida Jovem em qualquer evento do clube no Estado e até fora do Brasil.

“Fizemos tudo isso porque entendemos que não se tratam de torcidas e sim de gangues que se organizam com o único propósito de espalhar a violência. Diante disso, tomamos uma posição muito clara de enfrentamento. O que o Sport podia fazer está fazendo e ainda fará mais se necessário. Agora o que precisa é uma ação mais efetiva de todos os envolvidos e os outros clubes se posicionarem também”, disse Martorelli.

O mandatário leonino, inclusive, adiantou mais um passo que pretende dar: um projeto de lei que puna o clube que tenha ligação com torcida organizada. “Estamos elaborando esse projeto há algum tempo e, em breve, vamos submetê-lo a algum parlamentar pernambucano que queria abraçar a ideia. Temos que ter um instrumento legal para que haja uma punição, a exemplo do modelo inglês, como a exclusão de campeonatos os clubes que sejam coniventes com essas facções violentas”, defendeu. 

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O presidente do Santa Cruz, Alírio Moraes, tem um posicionamento diferente em relação aos grupos. “Eu sou a favor da torcida organizada para fazer a festa no estádio. O que não significa dizer que apoie a incitação a violência. Hoje temos um canal de comunicação direto com as organizadas, nos reunimos com elas e a polícia, acompanhamos a ida ao estádio. O Santa Cruz optou por atuar como um poder moderador e fazer essa ponte entre a voz da periferia e a voz do Estado. E, como resultado, estamos vendo uma redução do número de ocorrências nos jogos”, garantiu o mandatário tricolor.

Sobre o impedimento legal vigente das organizadas frequentarem os estádios, Alírio defendeu uma punição individual e não coletiva. “O problema é que se começa a trabalhar com generalidades e a fazer de conta de que se está cuidando do problema. Você tem que ir no âmago da questão e buscar dentro das organizadas realmente quem é nocivo, quem marca a briga nos bairros, quem faz a depredação dos ônibus. Será que, em um universo de milhares de pessoas, você não tem condições de identificar cem que vão de encontro à lei? Claro que tem!”, defendeu Alírio Morais.

O presidente em exercício do Náutico, Ivan Brondi, preferiu o meio termo. “Eu acho que torcida todo o clube deve ter, mas eu acho que existem ações mais sublimes do que brigas e quebra-quebra. Creio que elas devam repensar o caminho. Continuando a briga, ninguém vai mais a campo e aí o futebol morre. Do jeito que está tem que se tomar uma atitude, uma medida dura, para reposicionar o trem nos trilhos”, disse Brondi.

O presidente da FPF, Evandro Carvalho, por sua vez, se coloca a favor de uma resposta mais enérgica. “Diante dessa reiterada prática de violência, nós temos que ter uma legislação mais dura e uma ação do Estado mais repressiva. Aí, no futuro, depois que se restabelecer a ordem social e demonstrar a esses bandidos que ele serão presos e vão para a cadeia, poderemos amenizar essas medidas e adotar um encaminhamento mais pedagógico”, defendeu.

 

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