Luto

Amigos lembram importância de Luis Cavalcante para a crônica esportiva

Companheiros de profissão destacam a seriedade de Luis Cavalcante como característica principal de um dos maiores comentaristas esportivos de Pernambuco

JC Online
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Publicado em 03/11/2017 às 20:49
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Companheiros de profissão destacam a seriedade de Luis Cavalcante como característica principal de um dos maiores comentaristas esportivos de Pernambuco - FOTO: Reprodução
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Companheiros de profissão e admiradores destacam a seriedade de Luis Cavalcanti como característica principal de um dos maiores comentaristas da crônica esportiva pernambucana. Contundente quando preciso. E doce sempre que podia.

Com a ética como marca ao longo de toda carreira, servia até como referência para árbitros de futebol. “Me lembro que no futebol ele era a lei. No tempo em que não tínhamos replays, grandes equipamentos de televisão, em lances capitais se dependia da palavra de Luís para tranquilizar a torcida. Por diversas vezes, fui chamado pelos membros do jogo para saber o que Luis Cavalcanti disse no comentário. Se tivesse falado que acertou, estava certo. Se disse que estava errado, estava errado. Não tinha discussão”, relembra o fiel amigo Geraldo Freire, comunicador da Rádio Jornal e que chegou a dividir transmissões com Luis Cavalcante.

Baiano, Luis Cavalcanti nunca admitiu qual o time que simpatizava em Pernambuco. Sempre mantendo a linha do respeito e com total credibilidade. “Absolutamente respeitado por todos do meio esportivo no Brasil. Era uma forma ímpar de trabalhar e se posicionar. Sabia separar o joio do trigo”, justifica André Luiz Cabral, comentarista da Rádio Jornal.

“Um grande e coerente comentarista. Tinha meu respeito quando eu jogava. E aprendi muito a seu lado, quando fiz parte da mesma equipe esportiva”, destaca o ex-volante do Santa Cruz Zé do Carmo, que trabalhou com Seu Luis na Transamérica.

“Foi meu professor. Foi em quem me inspirei. Luis não comentava para denegrir, comentava para relatar”, recorda o também comentarista Leo Medrado, da CBN, que levou Luis Cavalcante também para a TV.

Para o colunista do JC Carlyle Paes Barreto, ele conseguia como poucos criticar sem perder a ternura. “Mesmo quando precisava ser mais enfático, Seu Luiz não perdia a classe. Nunca.”

HISTÓRIA

Nascido em Ilhéus, no interior da Bahia, Luis Cavalcante começou na Rádio Cultura, de sua cidade natal, em 1952, como narrador. “Eu quis fugir, mas ficou todo mundo olhando para minha cara e fiquei ali. A narração era em dupla, cada um ficava com um lado do campo. Quando a bola passou para o meu lado, travou a garganta e não consegui falar. Fiquei com raiva de mim mesmo e disse: vou narrar. E narrei. Foram quase três anos lá”, afirmou Seu Luis, em documentário produzido pelos jornalistas André Fontes e Ricardo Baroni, de 2014.

Foram 60 anos dedicados ao rádio esportivo, desde 1955 em Pernambuco. Luis Cavalcante teve cinco passagens pela Rádio Jornal, totalizando 34 anos de dedicação à casa. Diabético, ele lutava contra câncer de pulmão. Deixou a esposa, dois filhos, seis netos e seis bisnetos.

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