Adeus

'Só tenho a agradecer', diz agora ex-volante do Náutico

Wendel recebeu o JC na sua casa no primeiro dia de aposentadoria do futebol

Diego Toscano
Diego Toscano
Publicado em 27/04/2018 às 9:12
Alexandre Gondim/JC Imagem
Wendel recebeu o JC na sua casa no primeiro dia de aposentadoria do futebol - FOTO: Alexandre Gondim/JC Imagem
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Agora ex-jogador, Wendel recebeu o JC em sua casa no primeiro dia de aposentadoria. O ex-volante do Náutico falou sobre o que motivou a parar de jogar, relembrou as conquistas dos 19 títulos da carreira, elogiou a passagem em Pernambuco e falou sobre o futuro no futebol.

HORA DE PARAR

É uma decisão que já vinha martelando na minha cabeça. A questão física, de não ficar me arrastando como certos jogadores terminam a carreira, pesou. Encerrar em um nível bom e depois de um título é bacana. As dores vinham me acompanhando há bastante tempo. Nunca fui um jogador de ter lesões, e nos últimos anos aconteceram. Isso foi primordial para minha decisão, mas a família também pesou muito. Acho que já está na hora de cuidar um pouco dos meus filhos, de viajar com a esposa. Fazer aquilo que todo cidadão normal faz (risos).

PRIMEIRO DIA

Foi diferente e especial. Quando acordei, abri as redes sociais e me deparei com muito amigos me homenageando. Em especial o Alex (ex-meia), meu maior ídolo. Vivi com ele dois anos no Cruzeiro e era minha referência dentro e fora de campo. Isso significa que trilhei um caminho correto.

LEGADO

Desde que me conheço por gente estou no futebol. Sou do interior de Minas e saí de casa com 12 anos para a base do Cruzeiro, em Belo Horizonte. Perdi infância e juventude e abdiquei de familiares e amigos. Isso foi importante porque me fez crescer e amadurecer mais rápido. Espero ter deixado um legado de cara correto e trabalhador.

SPORT

O primeiro ano lá foi complicado. Vinha de um rebaixamento com o Vasco e não consegui render meu futebol. Aí 2015 aconteceu o que todo torcedor do Sport, quando saio na rua, comenta. Sexto lugar, melhor campanha do clube nos pontos corridos da Série A. Uma pena que, naquela ocasião, o sexto não tinha vaga na Libertadores ainda. O carinho que fica é enorme. Não queria sair e fiz de tudo para ficar, mas passou.

NÁUTICO

Em 2018, apareceu a oportunidade de vir para o Náutico, um clube que me acolheu já no final da carreira. As coisas começaram a caminhar e fomos ganhando os jogos. Nas quartas e na semifinal (do Pernambucano), estádio cheio. Na final, aquela coisa louca, que toda criança e até mesmo muitos adultos ainda não tinham presenciado. Eram 42 mil pessoas para ver um título tão esperado. Só tenho a agradecer a Recife e aos dois clubes.

TÍTULO ESPECIAL

Eu diria todos. Muitos falam da Tríplice Coroa pelo Cruzeiro, mas teve Francês, Árabe, Goiano, Paulista... Sobre o mais especial, e não é ‘jogar confete’, só porque estou dando entrevista na cidade. Mas conquistar um título no dia do aniversário com o estádio cheio em final de carreira é especial. Não tem como. E também pelo jeito que foi: até às 10h, muitos não sabem mas eu estava vetado. Tive uma lesão no dia anterior batendo pênalti. Fiz tratamento intensivo, mas na manhã do domingo me vetaram porque não conseguia chutar.Só tenho a agradecer a Roberto Fernandes. Sabia que eu estava debilitado, mas ainda assim me colocou no finalzinho. Momento especial da minha carreira.

FUTURO

Quero descansar e ficar com minha família. No meio do ano, começar a fazer cursos na CBF. Não quero entrar, em qualquer que seja a área, sem ser capacitado. Quem sabe um dia retorno num outro cargo aqui no Recife.

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