Série C

Marcelo Chamusca revela receita que pode ajudar o Náutico contra o Bragantino

Treinador é o único que conseguiu reverter dois gols em um mata-mata no atual formato da Série C

Diego Borges
Diego Borges
Publicado em 22/08/2018 às 12:22
Foto: Divulgação/Guarani
Treinador é o único que conseguiu reverter dois gols em um mata-mata no atual formato da Série C - FOTO: Foto: Divulgação/Guarani
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Os torcedores que gostam de ater-se aos números sabem bem o tamanho da dificuldade de se reverter uma desvantagem em mata-mata na Série C. Como já publicado em outras oportunidades pelo JC, sob o atual modelo da competição, nos 24 confrontos já disputados de 2012 para cá, aconteceram apenas duas viradas, com Vila Nova e Guarani. O Bugre, inclusive, foi o único a conseguir tirar dois gols de saldo, justamente o que o Náutico precisará fazer no próximo domingo, contra o Bragantino, para ao menos decidir o acesso de divisão nos pênaltis.

O JC entrevistou o técnico Marcelo Chamusca, comandante do Guarani na temporada 2016, para entender como foi realizado o trabalho durante a semana que antecedeu a vitória por 3 a 0 sobre o ASA em Campinas, após perder o primeiro jogo por 3 a 1, em Arapiraca.

"A semana que decide um acesso é de mobilização com todos os setores do clube que podem colaborar no acesso. É não lamentar o resultado, até porque é um confronto de 180 minutos. A decisão não acabou", destaca, antes de apontar os pilares principais que dão suporte à preparação: torcida, diretoria, elenco e treinamentos.

TORCIDA

Curiosamente, Márcio Goiano adotou no Náutico uma medida à semelhante à de Marcelo Chamusca. O último treino alvirrubro antes de enfrentar o Bragantino será realizado com a presença da torcida, assim como Marcelo Chamusca fez no Guarani, antes da decisão contra os alagoanos. “Você tem que trabalhar a torcida, para ela acreditar e encher o estádio. Isso faz um diferencial grande. A gente lotou o Brinco de Ouro (da Princesa, estádio do Guarani) na ocasião”, recorda Chamusca.

DIRETORIA

Para Marcelo Chamusca, o setor administrativo do clube também tem trabalho fundamental para obter o sucesso esperado. “A diretoria precisa colaborar, trabalhando principalmente no entorno com torcedor e imprensa, na perspectiva positiva de que tem a possibilidade, que pode reverter dentro de campo.”

ELENCO

Outro ponto importante é o trato com a motivação dos jogadores. Trabalho que, de acordo com o treinador, precisa iniciar desde o apito final do primeiro duelo. “Lá em Arapiraca, eu comecei a trabalhar o time já dentro do vestiário. Só assim você consegue mobilizar a semana, investindo em tudo de análise do adversário, escolhendo as melhores peças e deixando o ambiente tranquilo”, aponta, antes de reforçar o trabalho do técnico na condução do trabalho.

“Não transferir pressão. Pelo contrário. Fazer com que os jogadores entendam que é uma situação que pode se reverter. Confiar no grupo que tem. Até porque, se tiveram o direito de decidir em casa é porque fizeram uma fase classificatória boa e têm qualidade”, completa Chamusca.

TREINAMENTOS

Todo esse suporte, é visto como fundamental para que a carga de treinamentos da semana seja aproveitada da melhor forma. Seguindo a cartilha de Marcelo Chamusca, é preciso sufocar o adversário com uma marcação em seu campo de defesa, mas sem perder o poder de organização.

“Marcação alta, treinada durante a semana. Dar uma intensidade boa ao jogo para fazer com que o torcedor jogue com o time. O torcedor só joga com o time de acordo com a sua postura. Se você começa o jogo morno, com um bloco (de marcação) mais baixo e deixar os caras jogando no conforto, você pode até construir, mas o jogo vai se tornar mais difícil. Essa postura vai ser preciso determinar muito bem durante a semana”, aconselha o técnico.

Prova maior disso é o fato do Guarani ter marcado o segundo gol após falha do goleiro do ASA, que chutou a bola em cima do atacante Eliandro, que cercou o lance (os outros dois gols do Bugre no 3 a 0 saíram de jogadas aéreas).

 UM PASSO DE CADA VEZ

“É a aplicação da semana de treino no jogo. Nós fizemos o jogo perfeito. O time abriu 1 a 0 na hora certa e a gente não se agoniou quando fez o gol. Seguiu pressionando, bem posicionado, e as coisas foram acontecendo com naturalidade. A gente construiu o placar com uma autoridade muito grande.” E alerta. “Se for pensar que precisa fazer três ou dois gols de uma vez só, as coisas não acontecem.”

Para o jogo contra o Bragantino, existe o apelo para que Márcio Goiano escale Wallace Pernambucano, vice-artilheiro do Náutico na temporada com dez gols, seja utilizado ao lado de Ortigoza no time principal. Jogador referendado por Chamusca, que enxerga possíveis espaços para utilização do atleta. “O Wallace trabalhou comigo no Ceará. Ele faz o papel de dez e faz nove, tanto como meia mais central, como centroavante. E de acordo com o jogo, ele pode até jogar de segundo volante. Consegue trabalhar assim também”, e avalia o elenco alvirrubro, que estudou durante o primeiro semestre, quando treinou o Ceará. “Pelo que vi dos jogadores, é uma mescla boa de jovens e mais experientes. Elenco de qualidade.”

SEM GOL QUALIFICADO

Vale destacar que a mudança aplicada no regulamento desde o ano passado, onde o gol marcado no campo adversário deixa de ter peso decisivo, faz com que a situação do Náutico seja ainda mais desconfortável que a do Bugre. Naquela ocasião, o 2 a 0 seria suficiente para assegurar a vaga para os alviverdes. "Muda tudo. No nosso caso, existia o gol qualificado. Não diria que facilitou, mas é um atenuante por ter feito um gol lá em Arapiraca", destacou Chamusca.

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