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Schumacher anuncia aposentadoria definitiva da Fórmula 1

Michael Schumacher fará última corrida pela F1 no circuito japonês de Suzuka

Priscila Miranda
Priscila Miranda
Publicado em 04/10/2012 às 8:52
Foto: DIMITAR DILKOFF / AFP
Michael Schumacher fará última corrida pela F1 no circuito japonês de Suzuka - FOTO: Foto: DIMITAR DILKOFF / AFP
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O alemão Michael Schumacher, da Mercedes, anunciou nesta quinta-feira (4) no circuito japonês de Suzuka sua aposentadoria definitiva da Fórmula 1 ao fim da temporada de 2012 por falta de motivação, após mais de 300 Grandes Prêmios na carreira.

"Nos últimos meses, não tinha certeza se ainda tinha a motivação e a energia necessárias para continuar adiante. Com a idade, você pensa mais sobre o que faz. É normal", disse.

"Estou feliz com a maneira como tudo aconteceu com a equipe. Sempre fui informado e sabia o que acontecia: tinham a chance de contratar Lewis (Hamilton), um dos melhores pilotos do mundo e, às vezes, o destino decide por você. Cruzo os dedos para que seu futuro em comum seja um sucesso", completou.

"Schumi", de 43 anos, sete vezes campeão do mundo de Fórmula 1 (1994-95 e de 2000 a 2004), se aposenta pela segunda vez da F1. Ele deixou a categoria em 2006 e passou três anos afastado.

A contratação de Hamilton pela Mercedes, anunciada na semana passada, acelerou a decisão de Schumacher e terminou com a incógnita sobre o futuro do piloto alemão, que descartou prosseguir na categoria em uma escuderia menor, como a Sauber, entre outras.

"Minha ambição de lutar pela vitória e meu prazer de pilotar são alimentados pelo fato de que sou competitivo. Ainda sou capaz de lutar com os melhores pilotos do mundo, mas não é meu estilo fazer algo que não sinto 100%. Com a decisão de hoje, me sinto aliviado destas dúvidas", afirmou.

"Em 2006, disse que a bateria estava vazia e não sabia se conseguiria recarregá-la. Me cuidei muito, desde o início da carreira, e conquistei muitas coisas, por isso queria realmente a aposentadoria. Depois as circunstâncias propiciaram minha volta e não lamento", explicou.

O piloto considerou o balanço dos últimos três anos na Mercedes bom.

"Foram três anos bonitos, como ser humano. Há muitos aspectos positivos e aprendi muitas coisas. É verdade que não conseguimos desenvolver um carro para vencer o Mundial, mas posso estar feliz com o êxito global durante minha carreira".

O alemão afirmou que entendeu que após esta temporada deveria dizer adeus em definitivo como piloto.

"É preciso saber apreciar o que você faz, viver com suas convicções. Chega um momento no qual é preciso dizer adeus e isto é o que faço hoje, e desta vez pode ser para sempre", destacou.

"Aprendi muito sobre eu mesmo, como por exemplo que é possível desfrutar sem perder a concentração. É algo que não conseguia fazer durante a primeira parte da minha carreira. Percebi que perder é, ao mesmo tempo, mais difícil e mais instrutivo que ganhar", disse.

A confissão corresponde a um piloto altivo e arrogante na primeira parte da carreira, marcada por sete títulos de campeão do mundo e 91 vitórias, mas que ficou sereno e relaxado, quase humilde, desde que Ross Brawn, com quem já havia trabalhado na Ferrari, o tirou do período sabático para pilotar na Mercedes.

Durante três temporadas frustrantes, Schumacher conseguiu apenas uma pole position (Mônaco 2012) e subiu uma vez ao pódio (Valencia 2012).

"De novo chegou o tempo da liberdade", afirmou Schumacher, sorridente e tranquilo.

O alemão terá mais seis provas na carreira, nas quais tentará vencer um último GP.

Na entrevista coletiva em Suzuka, Schumacher estava acompanhado de Brawn, o diretor técnico da Mercedes-AMG que o convenceu a retornar aos circuitos em 2010, e Norbert Haug, diretor de competição da Mercedes.

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