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Havaí: a meca do surfe mundial

Não são só as ondas do arquipélago que fazem praticantes de mundo todo invadirem o lugar

Eduardo Azevedo
Eduardo Azevedo
Publicado em 25/11/2012 às 9:38
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Desde 1988, quando apareceu para o mundo do surfe profissional, o paraibano Fábio Gouveia cumpre um roteiro quase religioso. Todo mês de novembro, início do inverno no Havaí, parte de “mala e cuia” – como costuma falar – para o arquipélago conhecido pelas ondas mais perfeitas e pesadas do planeta. Fabinho não está só. Com ele, marcham em direção ao templo maior da modalidade milhares de profissionais e amadores de todos os lugares. Descer grandes massas de água salgada e treinar em condição limite atiçam os surfistas. O Havaí, no entanto, é mais do que isso. Assim como Meca é o destino anual dos muçulmanos, é regra: todo ser ligado ao esporte dos reis polinésios tem de marcar presença no 50º Estado norte-americano, sob pena de perder o bonde da história.

O motivo primordial continua sendo as ondas poderosas, certamente. Com todo tipo de formato – inclusive as tubulares, desejo de dez entre dez adeptos do esporte –, é uma aula para quem quer seguir o circuito mundial, freesurfers e todo tipo de amante do surfe.

“Para um surfista profissional é superimportante ter quilometragem nas ondas do arquipélago, tendo em vista que não temos ondas daquele porte”, defende Fábio Gouveia, que vai para sua 23ª temporada. “Aprimorei meu surfe por lá. Aprendi a controlar o medo, saber meu limite. Conheci um bocado da cultura que admiro bastante”, conta,

Banzai Pipeline, Waimea Bay e Sunset Beach são as praias mais cobiçadas do North Shore de Oahu, a principal ilha havaiana. Sem dúvida, permeia o desejo de quem vive do esporte. Mas estar no Havaí é se mostrar, principalmente. Alguns são os fatores que obrigam profissionais e amadores a marcarem presença. Um deles é básico. A Tríplice Coroa Havaiana é o nome dado à série de eventos do qual participam os melhores do mundo. Ser o vencedor geral dela proporciona um prestígio em âmbito mundial. E, claro, bons contratos com as marcas do segmento, chamadas de surfwear.

“Para quem quer trabalhar a imagem, é o melhor custo benefício. O North Shore de Oahu e adjacências são um estúdio natural. Costumamos dizer também que é a Hollywood do surfe”, comenta Fabinho.

No surfe a imagem é fundamental. É o que vende o espetáculo, rico plasticamente. Se os surfistas garantem presença no Havaí, o mesmo pode-se dizer das marcas – das mais famosas as menos conhecidas – e da mídia segmentada. Pegar uma onda inesquecível e ter a foto publicada num grande periódico com circulação mundial também pode mudar o rumo de uma carreira.

É por lá que se lança moda. Nas areias ou nas ondas, os principais surfistas das grandes etiquetas testam novos produtos. Um dos maiores talentos da nova geração, o brasileiro Gabriel Medina tem sido o “piloto de testes” dos produtos que levam seu nome na Rip Curl. Se aprovado e com toda a mística que cerca o arquipélago, logo logo a linha estará nas lojas de todo mundo.

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