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Rússia: F1 em Sóchi é um freio para o esporte automotivo no país

O novo Grande Prêmio fará parte do calendário da F1 de 2014 até 2020, após acordo assinado por Putin

AFP
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Publicado em 18/01/2013 às 12:04
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O circuito de Fórmula 1 em construção em Sóchi acolherá o Grande Prêmio da Rússia de 2014, ano dos Jogos Olímpicos de Inverno nesta mesma estação balneária, mas custará caro e representa um freio para o esporte, segundo especialistas.


O presidente Vladimir Putin fez dos grandes eventos esportivos uma prioridade, usando toda a sua influência para trazer o GP de F1 para esta cidade, que beira o mar Negro. O novo Grande Prêmio fará parte do calendário da F1 de 2014 até 2020, após acordo assinado por Putin, na época primeiro-ministro, e Bernie Ecclestone, mandatário da empresa Formula 1 Management.

Porém, especialistas e esportistas russos de alto nível estimam que Sóchi fica "longe de tudo" e que as despesas para acolher uma corrida deste porte neste longínquo lugar acontecem em detrimento de outras categorias do esporte. O piloto de Fórmula 2 russo Ivan Samarine lamentou que as autoridades russas se lancem na F1 mesmo tendo pouquíssima experiência com esportes automotivos, esporte ignorados nos tempos da Rússia soviética.

Ao invés de organizar uma "operação de prestigio" no mesmo tempo em que organiza os Jogos Olímpicos, a Rússia, segundo o piloto, deveria construir outros circuitos que recebessem corridas nacionais antes de se aventurar na Fórmula 1, uma categoria na qual o único representante do país, o piloto Vitaly Petrov, ainda nem sabe se será reaproveitado pela escuderia Caterham.

Petrov criou certa euforia quando alcançou, em 2011, o terceiro lugar do pódio no GP da Austrália quando corria pela Lotus-Renault -- primeiro pódio russo -- mas terá que procurar novos ares em 2013 se não conseguir patrocinadores antes do início da nova temporada.

Apesar dos esforços para desenvolver a F1 num país onde o Hóquei no gelo e o futebol têm a preferência nacional, a Rússia sofre para encontrar "padrinhos" internacionais que estejam dispostos a investir e defender a modalidade.A organização de um GP custará à Rússia 40 milhões de dólares por ano, sem contar os 200 milhões de dólares gastos na construção do circuito. Mas o jornal Kommersant estima que o projeto trará benefícios econômicos importantes.

Porém, no olhar de Andrei Klechtchev, jornalista da revista automotiva Autoreview, "teria sido muito mais proveitoso usar a verba no kart e em outras categorias formadoras", principalmente pelo fato de Sóchi, 1.400 km ao sul da capital russa, está "muito longe dos centros formadores dos esportes automotivos".

Até hoje, o maior sucesso da Rússia nos esportes automotivos é a escuderia Kamaz, único fabricante de veículos pesados a ter uma equipe própria de rally, vencedora das últimas quatro edições do Paris-Dakar na categoria caminhões.

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