Obstáculos

Medalhista olímpica, Yane sofre para arranjar patrocínio

A atleta pernambucana é atualmente a número 2 do ranking mundial

Da Agência Estado
Da Agência Estado
Publicado em 19/03/2013 às 19:15
Foto: Marcos Michael/JC Imagem
A atleta pernambucana é atualmente a número 2 do ranking mundial - FOTO: Foto: Marcos Michael/JC Imagem
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Até os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, o Brasil jamais havia conquistado uma medalha no pentatlo moderno. Com Yane Marques, de 29 anos, conseguiu a primeira: de bronze, no último dia de Olimpíada. Sete meses depois, pouco mudou para a pernambucana, atual número 2 do ranking mundial: embora o reconhecimento nas ruas tenha aumentado, ela continua batalhando para conseguir patrocínio.

Natural de Afogados da Ingazeira, a quase 400km do Recife, Yane reveza seus treinamentos entre a capital pernambucana e o Rio, onde treina na Escola de Educação Física do Exército, na Urca. Vem das Forças Armadas uma das suas fontes de renda - a exemplo de outros atletas de ponta do Brasil, se tornou 3º sargento antes dos Jogos Mundiais Militares, em 2011 -, além do Bolsa Atleta, do mistério do Esporte, e o custeio de viagens e staff que vem do Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

"Com a medalha, esperava já ter conseguido o patrocínio. Mas tenho esperança de que logo vai aparecer alguma coisa", disse a atleta, que a partir desta quarta-feira vai disputar no Rio a segunda etapa da Copa do Mundo de Pentatlo Moderno. "Não digo que estou decepcionada porque gosto muito do que faço. Eu amo o esporte", comentou Yane, que costumava procurar ela mesma patrocínio, visitando empresas, mas agora estuda outra forma, talvez por meio de um empresário.

O rosto da pernambucana de cabelos louros e olhos azuis agora é bem mais conhecido do público brasileiro. "Hoje, o esporte vive outra realidade. Antes, eu só escutava: 'Ah, você é aquela atleta que faz aquele tanto de esportes, né?' Agora, muitos sabem quem eu sou", contou. Segundo ela, o número de crianças procurando o esporte aumentou. "Precisamos dessa renovação", disse Yane, relutante em se considerar um ídolo do esporte brasileiro.

Para a Olimpíada do Rio, em 2016, ela gostaria que outras Yanes surgissem. "Material humano o Brasil tem. Sei de projetos de iniciação no Rio e no Recife. Alguma coisa já está sendo feita, mas não sei se é o suficiente", admitiu.

PALCO - Nos Jogos do Rio, todas as cinco provas do pentatlo moderno devem ser realizadas pela primeira vez num só estádio, em Deodoro, na zona oeste do Rio. Em Londres, por exemplo, as disputas de esgrima, hipismo, natação, corrida e tiro foram realizadas em três locais diferentes. "Todo quadro bonito merece também uma moldura bonita", disse o presidente da União Internacional de Pentatlo Moderno, o alemão Klaus Schormann, que está no Rio para a Copa do Mundo.

A ideia é que, com um só ingresso e sentado no mesmo lugar, o espectador possa ver a disputa das cinco modalidades num período de cinco horas. "Na Grécia Antiga, todas as provas do pentatlo eram disputadas numa só arena. Agora, o esporte voltará às suas origens", explicou o dirigente alemão.

Antes de se tornar "moderno" (foi introduzido nos Jogos de 1912, em Estocolmo, para homens, e de 2000, em Sydney, para mulheres), o pentatlo era disputado com lançamento de disco e dardo, salto em comprimento, luta e corrida.

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