basquete para cadeirantes

Anderson Braz encontra no esporte o recomeço

Após perder uma das pernas, jogador reconstrói a vida com o basquete para cadeirantes

Moisés Holanda
Moisés Holanda
Publicado em 06/11/2013 às 21:18
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Aquele dia transcorria como todos os outros que já tinham passado durante o ano de 2006. Depois de ir à escola pela manhã, Anderson Braz, na época com 10 anos, retornava tranquilo para casa. Ao atravessar a rua, no entanto, um ônibus cruzou seu caminho, mudando drasticamente o destino do jovem que, vez por outra, já faltava aulas para ficar nas ruas de Arthur Lundgren I, bairro pobre da cidade de Paulista, em meio às más companhias. Apesar de o veículo ter atingido em cheio sua perna direita, o menino não sentiu dor. Pensou que estava sonhando. Escuro. Ao acordar no hospital, percebeu que o membro já não estava lá. Uma infecção tinha decretado um novo começo para a vida de Anderson. Dois anos depois, uma cadeira de rodas e uma bola de basquete se tornaram o caminho para a reabilitação.

Por insistência do irmão, o garoto começou a treinar na equipe de cadeirantes do Sesi de Paratibe e logo despontou no esporte. Tanto que, há três semanas, Anderson, hoje com 17 anos, foi o único pernambucano a atuar pela seleção brasileira de basquete em cadeira de rodas que conquistou o ouro no Pan-Americano sub-21, em Buenos Aires (AR). O fato, por si só, já seria um feito considerável. Mas não para o pivô, que está aprendendo a reescrever sua história através do esporte. Apesar de ser o caçula do grupo, ele ainda foi o cestinha da competição e considerado um dos melhores jogadores do torneio.

A bola e a cadeira de rodas, mais uma vez, deram ao pernambucano a chance de transformar sua vida. Por causa do título na Argentina, Anderson e todos os jogadores da seleção vão receber, a partir do ano que vem, o bolsa atleta internacional. Pelo menos no caso do jogador estadual, os R$ 2.500 do benefício concedido pelo governo federal já têm destino certo. “Moro com sete parentes em uma casa pequena. O dinheiro vai ajudar a minha família. Vou juntar e comprar uma casa nova e maior”, revelou.

Para todos que convivem diariamente com o pivô, nenhuma atitude diferente dessa poderia ser esperada. Antes de embarcar para as disputas do Pan-Americano, cada atleta da seleção recebeu uma ajuda de custo no valor de R$ 900. Coube à coordenadora técnica da equipe nacional, Fátima Fernandes, recolher as quantias que cada um gostaria de trocar no câmbio. Na sua vez, Anderson simplesmente balançou a cabeça em sinal de negação. “Ele deu tudo para a avó, que foi quem o criou. Resolvemos, então, arrumar mais US$ 200 (R$ 454) para ele viajar”, contou a presidente da Confederação Brasileira de Basquete em cadeira de rodas (CBBC), Naíse Pedrosa.

Grande destaque também da equipe pernambucana do Sesi, a próxima meta de Anderson nas quadras é ajudar o time a conquistar o acesso à 2ª Divisão do Nacional da modalidade. A tarefa, no entanto, não teve um começo tão fácil. Ontem, jogando na quadra da Faculdade Guararapes, em Jaboatão, os representantes estaduais foram derrotados pelo CAD – SP por 54x41, em partida válida pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro da 3ª Divisão, que acontece na cidade, até o sábado. Nada que chegue a minar a confiança inabalável de Anderson, gigante na vida, no esporte e na arte de recomeçar, e da melhor maneira possível. 

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