Vôlei

Pernambucana Jaqueline Carvalho segue à espera de um clube

Ponteira não joga por uma equipe brasileira desdo o ano passado

Luana Ponsoni
Luana Ponsoni
Publicado em 16/10/2014 às 7:23
FIVB/Divulgação
Ponteira não joga por uma equipe brasileira desdo o ano passado - FOTO: FIVB/Divulgação
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Há dez meses, a ponteira da seleção brasileira de vôlei Jaqueline Carvalho vive o drama de não ter um clube do País para representar. Não por falta de capacidade. Justamente pelo contrário. Como bicampeã olímpica que é, Jaque tem qualidade demais. Atingiu a pontuação máxima no ranking da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), que é sete, e perdeu espaço nos times do Brasil em condições de contratá-la após dar uma pausa na carreira para ser mãe. Enquanto cuida do pequeno Arthur, de 10 meses, à pernambucana resta apenas esperar que algum clube menor e sem duas jogadoras de seu nível, como manda a regra do ranqueamento, possa encontrar meios de arcar com o seu salário. 

“Já cansei de falar, estou me tornando repetitiva, mas é a realidade do vôlei no Brasil. Gostaria apenas de poder atuar no meu País, onde o meu marido Murilo joga para não separar a nossa família. Nosso filho é muito pequeno e representar um clube de exterior está fora de cogitação, apesar das inúmeras propostas que recebi. Poderia ser qualquer equipe, não apenas de São Paulo, já que Murilo joga no Sesi-SP. Agora teria de pagar o quanto valho. Não preciso provar mais nada para ninguém. Não vou jogar só por amor. Por amor, já fiz muita coisa no vôlei e, como qualquer mãe, também estou pensando no futuro do meu filho”, desabafou à reportagem do JC.

Dentre as 13 equipes inscritas na Superliga 2014/2015, apenas duas não poderiam contratar Jaqueline. No Molico/Osasco-SP, já atuam a levantadora Dani Lins e a central Thaísa, ambas com sete pontos. Já o Rexona/Ades-RJ tem apenas a ponteira Nathália com a pontuação máxima, mas a soma do elenco atinge o limite de pontos estabelecido, que é de 43.

“Todos nós na CBV estamos conscientes da situação que Jaqueline vem enfrentando. Gosto demais dela e do Murilo. Eles são um casal que admiro muito. Estamos na torcida para que algum dos 11 times que não têm 43 pontos ou duas jogadoras com sete entre em acordo com a jogadora e ela possa, enfim, voltar a representar um clube brasileiro. É a única coisa que podemos fazer”, afirmou o diretor de competições da CBV, Radamés Lattari.

Segundo o dirigente, as regras de ranqueamento são fixadas pelos próprios clubes que disputam a Superliga para deixar a competição mais equilibrada. “Em fevereiro deste ano, representantes dos 13 clubes se reuniram e aprovaram a manutenção das atuais regras do ranking, apesar de terem a possibilidade de aumentar o número de jogadoras com sete pontos por equipe”, garantiu Lattari.

Caso nenhuma equipe brasileira consiga fazer uma proposta que seja interessante a Jaqueline, o técnico da seleção brasileira, José Roberto Guimarães, já se predispôs a mudar todo o planejamento da equipe nacional para treiná-la sozinho. “Vou dar treino, não tem problema, já falei para ela. Temos de ajudar de alguma maneira. É uma jogadora importante, que faz parte de todo o plano para a Olimpíada de 2016”, disse Guimarães. 

Como não poderia deixar de ser, Jaqueline recebeu a notícia da iniciativa de José Roberto com muita alegria. "O Zé sempre acreditou em mim. Me chamou para jogar o Grand Prix com a seleção mesmo eu estando afastada das quadras. Ele sabia que eu iria corresponder, sempre me apoiou e tenho certeza que faria a mesma coisa por qualquer jogadora do grupo que estivesse passando pela minha situação", comentou Jaque.

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