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'Infeliz e criminosa', diz promotor sobre declaração do presidente da FPF

Promotor do Ministério Público de Pernambuco Ricardo Coelho falou que a declaração do presidente da Federação Pernambucana de Futebol foi infeliz e criminosa

Gabriela Máxima
Gabriela Máxima
Publicado em 05/02/2020 às 12:01
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Promotor do Ministério Público de Pernambuco Ricardo Coelho falou que a declaração do presidente da Federação Pernambucana de Futebol foi infeliz e criminosa - FOTO: Acervo JC Imagem
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O promotor do Ministério Público do Estado (MPPE) Ricardo Coelho, responsável pela ação civil pública que pedia a extinção das torcidas organizadas dos estádios de Pernambuco, falou que falta vontade política para proibir de uma vez por todas a presença das uniformizadas nos jogos do Recife. Em entrevista ao programa Bate Rebate da Rádio Jornal, o promotor revelou que a Federação Pernambucana de Futebol (FPF) precisa ter vontade política para enfrentar o problema e garantir punição para essas facções. Ricardo Coelho ainda comentou a declaração polêmica dada pelo presidente da entidade, Evandro Carvalho. O mantário disse que os envolvidos na confusão da última segunda-feira deveriam ser executados.

INFELIZ E CRIMINOSA

"Declaração infeliz e criminosa a medida que incita a prática de crime e execução e ela deve ser objeto de responsabilização. Uma pessoa que ocupa um cargo de tamanha relevância e importância não pode falar esse tipo de afirmação a medida que estimula a prática criminosa. Isso está na lei penal. O que deve haver é o afastamento da política do futebol. Medidas extremas como esta sugerida não cabe. O que cabe é o rigor da FPF, vontade política de enfrentar o problema. Do MP de ser um condutor desses processo para que tenhamos mais respostas efetiva já que esse problema foi vencido em outros estados e até no exterior", observou Ricardo Coelho, que ainda lembrou que FPF esteve a favor das uniformizadas na época em que ele liderou a ação que pedia extinção das torcidas.

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O promotor também explicou que há punição eficiente para os crimes, mas o problema é forma como as ações são interpretadas por parte das autoridades. "Falando francamente falta vontade política. Porque um ato da Federação Pernambucana pode proibir a entrada das torcidas organizadas nos estádios.  Por que esse ato nunca foi baixado? Uma decisão judicial numa ação que já existe e está em curso na Justiça também poderia proibir. Essas decisões são políticas e elas não vieram. A Federação recusou a recomendação do MP par que essas torcidas fossem proibidas. A legislação pode ser interpretada de forma branda ou de forma mais rígida. Se você considera que os tumultos são provocadas pelas torcidas são crimes de menor potencial ofensivo, a penalidade aplicada será branda e o meliante será libertado. Vai dar cesta básica e estará novamente no jogo. Mas você pode dar uma interpretação mais rígida e entender que houve furto, roubo, tentativa de homicídio, lesão corporal. Não são crimes de menor potencial ofensivo. Eu particularmente acho que não existe normas brandas, falta interpretação adequada", concluiu.

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