Sítio Histórico

Moradores indicam a rota da folia no Carnaval de Olinda

A boa de hoje na Cidade Alta, segundo eles, é seguir Elefante, Patusco, D'Breck e o Bloco da Saudade

Cleide Alves
Cleide Alves
Publicado em 15/02/2015 às 8:08
Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
A boa de hoje na Cidade Alta, segundo eles, é seguir Elefante, Patusco, D'Breck e o Bloco da Saudade - FOTO: Foto: Hélia Scheppa/JC Imagem
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Se você ainda está em casa lendo jornal, em pleno domingo de Carnaval, na certa faz parte do bloco dos indecisos. Não sabe se vai, não sabe se fica... Pois anime-se, folião! Vista sua fantasia e suba as ladeiras de Olinda. Só na programação oficial, há 47 agremiações esperando por você. Somando com os grupos espontâneos, melhor nem falar em números.

Dê um pulinho por lá – melhor ainda, dê vários – e descubra o que é que Olinda tem. Os foliões descolados entram no ringue do bloco Mucha Lucha, às 8h, no Alto da Sé, em frente à Academia Santa Gertrudes. E emendam com os super-heróis mais divertidos do planeta do Enquanto Isso na Sala da Justiça, que sai lá para o meio-dia, do mesmo bat-local.

Não é a sua praia? Então se jogue no samba de Patusco (Rua do Bonfim, às 8h59) ou acompanhe Os Tradicionais Palhaços de Olinda (às 9h, no bairro do Carmo). Mas, para você não chegar assim, meio perdido, o foi em busca de moradores do Sítio Histórico que vivem o Carnaval para saber deles qual a boa de hoje, na Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade. Gostou? Então lá vai uma dica de luxo, de um homem que respira a folia olindense há 64 anos.

“A melhor coisa do domingo é seguir o Clube Elefante, a partir das 17h30, de Guadalupe, e o Bloco da Saudade, que sai da Rua do Amparo, às 16h30”, sugere Gilson Tenório. Isso no turno da tarde. Pela manhã, Gilsão, como é conhecido na vizinhança, indica o Bar do Peneira, nos Quatro Cantos. E mais cedo ainda, às 4h30, a Troça Cariri Olindense, no bairro de Guadalupe.

Este ano, avisa Gilsão, as troças, clubes e blocos vão fazer bonito nas ruas, com a proibição de casa-camarote na Cidade Alta, pela prefeitura. “Em vez de desfilar, as agremiações corriam, porque ficavam sem espaço, com aquela multidão na frente dessas casas. Agora, será melhor, vale a pena conferir”, indica.

Menino nas ladeiras, mas com o currículo carimbado como fundador, presidente e porta-estandarte da Troça Pitombeirinha dos Quatro Cantos, Rodrigo Costa não perde um domingo de Carnaval em Olinda, com a família. O carnavalesco, de apenas 8 anos, destaca na programação o Grêmio Recreativo Escola de Samba D’Breck, às 10h, no Largo do Bonfim, e o Patusco.

Fantasiado de Darth Vader, da série de cinema Guerra nas Estrelas, Rodrigo se joga na farra ao lado da irmã, Maria Eduarda, 4, disfarçada de princesa, e da mãe, Ana Rosa Costa. O trio se prepara em casa, cobrindo o rosto com máscaras e maquiagem, antes de cair na folia. “Jamais alugamos para o Carnaval, ficamos e aproveitamos a festa”, diz Ana Rosa.

Você também pode entrar nessa festa, os olindenses nativos e de coração abrem as portas da cidade para todos. “Venha, aqui estará uma multidão sorrindo, ninguém fala em doença, crise financeira, desemprego ou falta de dinheiro”, avisa João Galvão, com 82 carnavais vividos e curtidos nos becos e ruas da cidade.

“Onde mais a gente veria esse tapete de cabeças?”, pergunta João Galvão, na sua forma criativa de descrever os milhares de foliões nas ruas, quando vistos do alto de uma ladeira ou da janela do casario. “Em que lugar a gente pede uma música, só com um gesto de mão, e o Maestro Oséas executa? O Carnaval mais bonito é aquele que o povo participa no chão, cantando como um coral que parece ter sido ensaiado. Isso é Olinda”, resume. O convite está feito. A decisão é sua.

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