SAÚDE

O medo do silicone francês

Risco de rompimento de próteses mamárias da empresa PIP motivou alerta mundial e assustou pacientes. Orientação é procurar médico

Fabiane Cavalcanti
Fabiane Cavalcanti
Publicado em 07/01/2012 às 18:11
A empresa PIP usava silicone industrial para fabricar próteses, o que, em caso de rompimento, é prejudicial à saúde
Risco de rompimento de próteses mamárias da empresa PIP motivou alerta mundial e assustou pacientes. Orientação é procurar médico - FOTO: A empresa PIP usava silicone industrial para fabricar próteses, o que, em caso de rompimento, é prejudicial à saúde
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Seja por vaidade ou por necessidade, cada pessoa tem suas razões para colocar uma prótese mamária de silicone. Entretanto, nas últimas semanas, um mesmo sentimento uniu essas pessoas: o medo. Oito casos de câncer foram registrados em mulheres com implantes fabricados pela empresa francesa Poly Implant Prothèses (PIP), o que motivou um alerta mundial para que quem tivesse próteses desta marca procurasse seus médicos para verificar as condições do implante.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pede calma à população. No Brasil, o implante mamário, importado pela empresa EMI, teve sua comercialização suspensa em 1º de abril de 2010. A Ouvidoria da Anvisa afirma que recebeu, desde a proibição, 94 reclamações de mulheres que apresentaram problemas em próteses mamárias de silicone, das quais pelo menos 12 seriam relacionadas à PIP. Apesar do recall emitido pela Vigilância Sanitária francesa, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica descarta uma remoção preventiva das próteses.
Apesar dos alertas, muita gente anda procurando seu médico de confiança para saber das condições de seus implantes. “Muitas das minhas pacientes têm me telefonado nesses últimos dias, mesmo algumas das que utilizaram outros tipos de próteses”, afirma o cirurgião plástico pernambucano Carlos Homero Cabral. A socióloga Flávia Carneiro Leão conta que quando soube das primeiras notícias, correu para procurar as caixas das suas próteses e confirmar qual a marca. “Nem sabia que modelo era. Procurei as embalagens e a garantia, só para ficar mais tranquila. Minha irmã, que também colocou silicone, não tinha mais as caixas dela, mas como fizemos no mesmo médico acredito que as próteses dela sejam as mesmas que as minhas”, lembra.
Cabral conta que, entre dezembro de 2008 e abril de 2010, chegou a realizar 12 procedimentos utilizando produtos da marca francesa. Entretanto, essas pacientes ainda não entraram em contato com o cirurgião. “Caso elas sintam necessidade de trocar a prótese, o procedimento pode ser feito sem problemas. Mas é importante salientar que não existe nenhum estudo conclusivo que associe o uso dos implantes da PIP com câncer”, alerta Cabral. De acordo com o médico, o problema das próteses francesas é o tipo de gel utilizado em seu interior. “Eles fraudaram a fiscalização francesa e estavam utilizando silicone industrial nos implantes. Esse tipo de produto é corrosivo e aumenta o risco de rompimento na prótese, que normalmente é de 0,8% para 2,5%”, explica.
Ou seja, toda prótese de silicone possui um risco de rompimento. E nesses casos, o produto do vazamento causa uma grave inflamação nos usuários. “No caso dos implantes da PIP, essa reação será bem maior, já que o gel não é o utilizado para fins médicos, que é refinado, e sim o silicone industrial”, afirma Cabral. A quem não sabe qual a marca da sua prótese, ou mesmo que tenha essa informação, mas desconfie de algum rompimento, o mastologista Antônio Figueira lembra que o único exame que identifica vazamento em próteses de silicone é a ressonância magnética.

O acompanhamento através de mamografia e ultra-som é sempre importante. Mas caso a paciente sinta algum desconforto, ou perceba alterações na mama depois de ter feito a cirurgia, é necessário fazer uma ressonância pois só este exame apontará o possível ou

, afirma o médico Antonio Figueira


O Ministério da Saúde, anunciou no fim da semana passada, que pacientes com problemas em próteses de silicone para seios independentemente da marca poderão procurar atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS). Caso o médico constate problemas ou risco à saúde da mulher, a rede pública vai financiar a retirada ou troca da prótese. Para quem possui um implante da marca francesa, mas apresenta queixas, Figueira recomenda que o exame de ressonância magnética seja realizado a cada seis meses, como forma de prevenir a detecção de um rompimento. “O ideal é realizar a substituição o quanto antes”, completa.

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