ACIDENTE

Associações de parentes dos mortos no voo 447 irão à França ver relatório

Presidente da associação brasileira recebeu convite para apresentação no dia 5 de julho

Fabiane Cavalcanti
Fabiane Cavalcanti
Publicado em 19/06/2012 às 6:10
Arquivo AFP
Presidente da associação brasileira recebeu convite para apresentação no dia 5 de julho - Arquivo AFP
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O Escritório de Investigação e Análise para a Aviação Civil da França (BEA) enviou ontem ao presidente da Associação dos Familiares de Vítimas do Voo 447 (AFVV447), Nelson Faria Marinho, uma carta o convidando para a apresentação do relatório final que apontará as causas do acidente. O encontro será no dia 5 de julho em Paris. O Airbus A330 da Air France caiu no Oceano Atlântico no final da noite de 31 de maio de 2009, quando fazia o trajeto entre o Rio de Janeiro e Paris, matando as 228 pessoas a bordo.

Convite BEA

Informações extraoficiais vazadas dão conta de que o documento aponta que os pilotos não compreenderam a tempo que a aeronave perdera sustentação depois de uma falha do copiloto mais jovem, colocando um erro humano como sendo a causa principal do acidente.

Nelson repudia a hipótese e diz que falhas mecânicas levaram ao desastre. “Este anúncio de falha humana foi absurdo, não faz o menor sentido. Chegaram a dizer que o piloto estaria com uma mulher na cabine. Isso é especulação pura. Querem colocar a culpa em cima dos pilotos porque eles estão mortos, mas todos sabemos dos defeitos do avião. Esperamos que o relatório não vá por este lado. Se for, será uma grande decpção”, afirmou ele, em entrevista por telefone.

Segundo ele, o BEA apresentará o relatório conclusivo às famílias às 9h30 do dia 5. O anúncio à imprensa será às 14h30. Nelson, que perdeu o filho no desastre, viaja a Paris já no dia 3 de julho e irá representando a entidade brasileira, da qual é presidente. O convite do BEA também foi feito aos representantes das outras três associações de parentes de vítimas: a francesa, a alemã e a italiana.

O Brasil, de acordo com Nelson, já tem o documento em mãos desde o começo do mês e, caso discorde do resultado, tem 60 dias, a partir do anúncio oficial, para se manifestar e até iniciar uma investigação própria, que seria feita pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). É uma prerrogativa do Tratado de Chicago, do qual Brasil e França são signatários. Nelson cobra, desde a época do acidente, que o governo brasileiro realize, por meio do Cenipa, uma apuração paralela da tragédia.

 

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