BAHIA

Gêmeos pernambucanos são confundidos com homossexuais e um acaba morto

Irmãos, que andavam abraçados na rua, foram espancados por um grupo em Camaçari (BA). José Leonardo da Silva, 22 anos, morreu no local

Wagner Sarmento
Wagner Sarmento
Publicado em 27/06/2012 às 23:40
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Dois irmãos gêmeos pernambucanos foram confundidos com homossexuais e espancados por um grupo de oito homens no município de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. José Leonardo da Silva, 22 anos, morreu no local. José Leandro da Silva teve o maxilar quebrado em três lugares e o olho esquerdo quase perfurado. Os acusados foram presos, mas negam que o crime tenha sido motivado por homofobia.

Eles voltavam abraçados de uma festa promovida pela prefeitura local na madrugada de domingo (24). De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos estavam em um micro-ônibus e, ao avistar Leonardo e Leandro juntos, saltaram do coletivo ainda perto do Espaço Camaçari, onde os shows foram realizados.

Os agressores atacaram os irmãos com facadas e pedradas. Segundo informações da polícia, após a abordagem, Leonardo chegou a reagir e conseguiu tomar a faca de um dos homens, mas foi atingido na cabeça por um paralelepípedo. Ainda recebeu outras pedradas, enquanto Leandro era castigado com socos e pontapés. Depois das agressões, os criminosos fugiram.

Mesmo ferido, Leandro conseguiu telefonar para a Polícia Militar, antes de ser levado para o Hospital Geral. Ele foi medicado e já recebeu alta médica, mas precisará ser submetido a uma cirurgia corretiva.

Sete pessoas foram presas logo após o crime e acabaram reconhecidas por Leandro. Três suspeitos – Douglas dos Santos Estrela, 19; Adriano Santos Lopes da Silva, 21; e Adan Jorge Araújo Benevides, 22 – foram autuados em flagrante por homicídio qualificado (motivo fútil) e formação de quadrilha.

A família das vítimas vive na cidade de Ibimirim, Sertão de Pernambuco, a 313 quilômetros do Recife. Leonardo foi sepultado na última terça-feira (26) no cemitério do município. Uma multidão indignada com o crime acompanhou o enterro.

“Fui para o enterro e tinha muita gente. Parou a cidade. Está todo mundo revoltado. É difícil até mesmo para a gente aceitar, imagina para os parentes. O mundo está muito violento. Mata-se por nada”, desabafou a dona de casa Adalva Maria da Silva, 58, amiga da família, em entrevista por telefone. A namorada de Leonardo está grávida de três meses.

O Grupo Gay da Bahia (GGB), a mais antiga entidade de defesa dos direitos homossexuais no Brasil, e o Fórum Baiano LGBT condenaram o episódio violento.

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