leilão de concessão

Exigência de nova pista dificulta leilão de Confins

O Tribunal de Contas da União (TCU) observou que a movimentação em Confins tem sido inferior à estimada pelo governo

Flora Freire
Flora Freire
Publicado em 06/11/2013 às 8:20
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A obrigatoriedade de construir uma pista de pouso e decolagem no Aeroporto de Confins (MG) no máximo até 2020 é o principal fator que vem afastando concorrentes do leilão de concessão, marcado para o dia 22, afirmam potenciais concessionários ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo. Trata-se de um investimento de cerca de R$ 1 bilhão que pode não se justificar. Há sérias dúvidas sobre o crescimento da demanda, o que pode comprometer toda a engenharia financeira do empreendimento.

Preocupado com o risco de não haver propostas para o aeroporto mineiro, repetindo a frustração ocorrida no leilão de rodovias, o governo cogitou até permitir que os atuais concessionários de Guarulhos (SP), Viracopos (SP)e Brasília (DF) pudessem ter uma participação superior a 15% só em Confins. A “trava” de concorrência seria mantida só para o Galeão (RJ).

A ideia acabou descartada mas, mesmo se adotada, não encorajaria novas propostas. “Nem se mudarem a regra e pudermos ter 100% de participação, mas o projeto continuar o mesmo, não vamos (participar do leilão) em hipótese alguma”, disse o diretor de um consórcio que opera aeroporto.

“É preciso modernizar o aeroporto, aumentar o pátio dos aviões, investir em equipamentos para torre de controle e tornar a pista já existente mais eficiente, mas é impossível querer que o empresário construa uma segunda pista, que deve custar bem mais de R$ 1 bilhão, sem que haja essa demanda de passageiros ou de transporte de cargas”, afirmou.

Mau negócio

Para o presidente de outro consórcio que também já arrematou a operação de um aeroporto, é simples entender por que Confins não empolga os investidores. “Do jeito que está, trata-se de um mau negócio, não tem segredo. Galeão e Confins repetem o que aconteceu com o leilão das rodovias BR-050 e a BR-262: uma era uma boa oportunidade e muita gente apareceu, a outra era péssima por isso não foi ninguém.”

Ele é mais um a dizer que, mesmo se pudesse participar com mais de 15%, também continuaria fora. “Se tirar a obrigatoriedade da segunda pista, muda completamente a conversa, porque você deixa de ter que investir um dinheiro alto que, ao que tudo indica, não terá o retorno proporcional. Deixa de ser um mau projeto e acho que atrairia uns sete ou oito consórcios.”

O Tribunal de Contas da União (TCU) observou que a movimentação em Confins tem sido inferior à estimada pelo governo. De janeiro a julho deste ano, o fluxo de passageiros caiu 7,05% em relação a 2012, aponta o tribunal. No entanto, os estudos projetam crescimento de 5,73% em 2013 na comparação com 2012.

De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o crescimento médio do PIB para os 30 anos da concessão é de 3,6% ao ano. A mesma cifra foi usada nas rodovias, mas o governo cedeu e reduziu para 2,5%.

A Anac afirma que a construção da segunda pista em Confins é importante porque ele precisa estar preparado para enfrentar situações em que seja necessário fechar uma pista. Além disso, sustenta a Anac, “o projeto é viável a despeito da obrigação contratual em questão (a construção da pista)”. O investimento seria de R$ 660 milhões. 

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