Remoção

Moradores lutam contra possível remoção da Favela Santa Marta no Rio

Conhecido como Pico Dona Marta, a região é de difícil acesso, mas em compensação tem uma visão privilegiada da cidade. Em vez de retirar as pessoas, moradores querem que o poder público promova melhorias no local, como a construção de escadas com corrimãos e a instalação de postes de luz

Carolina Sá Leitão
Carolina Sá Leitão
Publicado em 26/06/2014 às 22:34
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Moradores da Favela Santa Marta, na zona sul do Rio de Janeiro, lutam contra a possível remoção de 150 famílias de uma área no alto do morro. Conhecido como Pico Dona Marta, a região é de difícil acesso, mas em compensação tem uma visão privilegiada da cidade. Em vez de retirar as pessoas, querem que o poder público promova melhorias no local, como a construção de escadas com corrimãos e a instalação de postes de luz.

O morro Dona Marta, primeira favela a receber uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), em 2008, pode ser acessado a partir do bairro de Botafogo, por um plano inclinado, ou por Laranjeiras, ligado por uma rua que leva até a sede da UPP. Porém, quem mora no Pico Dona Marta tem que se equilibrar por degraus escavados na rocha, em um trajeto íngreme e estreito.

“Por ter uma vista muito bonita, se transformou em um local de especulação [imobiliária]. É um lugar de grande interesse. Tirando as pessoas daqui, a iniciativa privada vai se apropriar da área. Nós queremos é um projeto de urbanização, como já ocorreu na parte baixa. A grande maioria quer permanecer aqui”, disse o líder comunitário Vitor Lira, que trabalha como guia turístico, levando visitantes para conhecer a favela e as trilhas na mata.

Ele foi um dos 11 homenageados hoje (26), durante lançamento da campanha Linha de Frente: Defensores dos Direitos Humanos, promovida pela ONG Front Line Defenders, com apoio dos grupos Justiça Global e Terra de Direitos. Os homenageados são de várias partes do país, e estão ameaçados por defenderem direitos constitucionais, como a vida, a liberdade, a terra, o meio ambiente e a moradia.

A moradora Fernanda de Abreu é contra sair do local, mesmo se for oferecido um apartamento popular na parte baixa da favela ou em outro bairro da cidade. “A gente só precisa de uma ajuda nas casas e uma melhoria no caminho, com iluminação pública. Daqui a pouco está tudo escuro e a gente não consegue descer”, disse, no final da tarde.

A Secretaria Municipal de Habitação informou que a possível remoção dos moradores seria por causa de obras do Programa de Aceleração do Crescimento, sob responsabilidade do governo estadual. A Secretaria Estadual de Habitação foi procurada, por telefone e e-mail, mas não se pronunciou até a publicação desta matéria.

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