Protesto

Movimentos organizam protestos em São Paulo contra prisões em manifestação

Além das prisões, o movimento critica o uso da condução coercitiva para garantir que os integrantes do Movimento Passe Livre (MPL)

Katarina Vieira
Katarina Vieira
Publicado em 26/06/2014 às 7:26
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Estão previstas para esta sexta-feira(26) duas manifestações contra as ações das polícias Civil e Militar na repressão dos protestos na capital paulista. Pela manhã, o Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp) fará passeata contra a prisão de Fábio Hideki, funcionário da universidade, preso segunda-feira (23) no protesto contra os gastos para realização da Copa do Mundo. “O ato era uma manifestação política legítima, não um crime, e está sendo criminalizado pela repressão policial”, diz o comunicado divulgado pelo sindicato.

À tarde, o movimento Se Não Tiver Direitos Não vai ter Copa convocou um ato, na Avenida Paulista, contra as prisões de Hideki e do professor de inglês Rafael Marques, detidos no último protesto convocado pelo grupo. O primeiro está no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, e o professor, que é ex-policial militar, está no 8º Distrito Policial. “Não importa neste momento o que eles pensam, quais as suas ideologias. Eles são vítimas de um Estado que forja descaradamente acusações. Trata-se de um ataque a toda a população, um ataque às mínimas liberdades democráticas”, diz o texto que convoca para o ato.

Além das prisões, o movimento critica o uso da condução coercitiva para garantir que os integrantes do Movimento Passe Livre (MPL) prestem depoimento no inquérito aberto pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) para apurar a violência nas manifestações.

O próprio MPL convocou ato contra o inquérito para a próxima terça-feira (3). “É lamentável que [o Secretário de Estado de Segurança Pública de São Paulo, Fernando] Grella agora ameace conduzir coercitivamente nossos militantes ao Deic, sendo que o movimento se apresentou, voluntariamente, para tratar diretamente com ele sobre o inquérito, acorrentando-se em protesto na Secretaria de Segurança Pública, no dia 30/5”, ressalta o movimento. De acordo com a nota, também devem participar do protesto o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST),  o Comitê Popular da Copa e o movimento Mães de Maio.

Nesta quinta-feira(25), Grella voltou a defender as prisões feitas na manifestação de segunda-feira. “A nossa convicção é que não houve excesso. O delegado, como autoridade policial, tem a liberdade de capitular o fato de acordo com o convencimento dele diante das provas colhidas e apresentadas no auto de prisão em flagrante”, ressaltou, durante a apresentação das estatísticas sobre Segurança Pública no estado.

Grella não explicou, no entanto, os critérios usados para identificar os detidos como black blocs. Esse foi o argumento usado na quarta-feira (24), pelo secretário, para justificar as prisões. “Eles estavam incitando as pessoas à prática de crime, organizando os atos de violência. Por isso, foram autuados em flagrante por organização criminosa. São os dois primeiros casos de black blocs presos por organização criminosa, por milícia privada, por incentivar a prática de crimes”, disse em entrevista, ao anunciar um programa de reforço da segurança nas escolas.

Na mesma ocasião, Grella também disse que o uso da escolta policial para garantir depoimentos é um procedimento previsto em lei. “A lei prevê que quando uma pessoa é notificada para comparecer e prestar depoimento, e ela não atende ao pedido da autoridade, fica sujeita a condução coercitiva. Ela pode, compulsoriamente, ser levada à presença da autoridade para ser ouvida”, ressaltou sobre o procedimento que deve ser adotado em relação aos membros do MPL.

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