VIOLÊNCIA

Assassinato de empresária em favela do Rio alerta para perigo do GPS

A idosa Regina Múrmura morreu ao ser baleada no sábado (3), na favela do Caramujo, em Niterói; o marido, Francisco levou coronhadas dos criminosos

Maria Regina Jardim
Maria Regina Jardim
Publicado em 05/10/2015 às 7:54
Foto: divulgação
A idosa Regina Múrmura morreu ao ser baleada no sábado (3), na favela do Caramujo, em Niterói; o marido, Francisco levou coronhadas dos criminosos - Foto: divulgação
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A morte da empresária Regina Múrmura, 70 anos, que morreu ao ser baleada na noite de sábado (3), na favela do Caramujo, em Niterói, na região metropolitana do Rio, chama atenção para os cuidados que o motorista deve ter, ao usar serviços de GPS (veja matéria publicada pelo JC).

O casal Regina e Francisco, 69, seguia para uma festa em Niterói, mas errou o caminho. Eles se guiavam por informações do aplicativo Waze e acabaram entrando numa comunidade, onde foram recebidos a tiros por um grupo armado com fuzis.

Morador do Rio, o casal registrou no aplicativo o endereço errado. O local da festa era a avenida Quintino Bocaiúva, mas o aparelho indicou a rua Quintino Bocaiúva, no interior da favela, no outro extremo de Niterói.

Francisco disse à polícia que, ao entrar na comunidade, o casal foi recebido a tiros. Ele tentou fugir e acelerou o carro, se deparando com uma rua sem saída. O empresário declarou que nesse momento desceu do carro para argumentar com os traficantes que estava perdido.

Ainda segundo o depoimento, Francisco levou coronhadas dos criminosos, que o liberaram por não ser policial.

O empresário conta que deixava a favela quando houve novos disparos contra o veículo do casal.

Leia matéria do Jornal do Commercio sobre navegação mais segura com GPS atualizado

A polícia suspeita que foi então que Regina foi atingida. Francisco dirigiu até o hospital estadual Azevedo Lima, a pouco mais de dois quilômetros da comunidade, mas a mulher morreu quando recebia os primeiros atendimentos.

O carro do casal foi atingido por mais de seis tiros. Antes de chegar ao velório da mulher, Francisco considerou um milagre não ter morrido e disse que "queria ter ido também".

Regina e Francisco eram casados desde 1967. Os dois são sócios de uma agência de viagens. Francisco também era juiz arbitral.

"Eles [os traficantes] agiram covardemente contra os dois idosos. É impressionante como querem se impor através da violência", afirmou o coronel Fernando Salema, comandante do Batalhão da Polícia Militar de Niterói.

O corpo da empresária foi sepultado no final da tarde deste domingo (4) no cemitério São João Batista, em Botafogo, zona sul do Rio.

SUSPEITA

Policiais civis da Divisão de Homicídios de Niterói investigam o caso e apontam traficantes da facção Comando Vermelho como responsáveis pelo crime.

Os traficantes da favela do Caramujo se destacam pela violência com que atuam. Um casal de idosos da comunidade está desaparecido e um morador que foi assassinado há 15 dias na região.

Os criminosos seriam chefiados por Rodrigo da Silva Rodrigues, 30, conhecido como Tineném. Há uma recompensa de R$ 1.000 oferecida pelo Disque Denúncia para quem ofereça uma informação que leve à sua prisão.

ATRIZ

Em agosto deste ano, a atriz da TV Globo Fabiana Karla teve o carro atingido por tiros ao entrar por engano na mesma comunidade do Caramujo.

Fabiana estava no carro com o marido e ia para uma festa em Pendotiba, em Niterói, mas o GPS indicou a passagem pelo interior da favela. O veículo da atriz chegou a ser cercado pelos criminosos, mas o casal conseguiu ir embora em segurança.

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