PARÁ

Relatório aponta que ação policial provocou as 10 mortes em Pau D'Arco

Laudo de reprodução simulada do episódio que ficou conhecido como a chacina de Pau D'arco foi entregue nesta segunda-feira (28)

JC Online
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Publicado em 29/08/2017 às 15:48
Foto: Google Street View
Laudo de reprodução simulada do episódio que ficou conhecido como a chacina de Pau D'arco foi entregue nesta segunda-feira (28) - FOTO: Foto: Google Street View
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 Toda a ação policial acarretou na morte das 10 vítimas do episódio conhecido como a chacina de Pau D'Arco, no sudeste do Pará, no dia 24 de maio deste ano, segundo o laudo de reprodução simulada do caso apresentado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup), entregue nessa segunda-feira (28). A reconstituição do crime cometido contra posseiros da Fazenda Santa Lúcia envolveu cerca de 100 profissionais e ajudará na conclusão do inquérito, que será apresentado pela Polícia Federal.

De acordo com o laudo, realizado por peritos do Centro de Perícias do Pará e da Polícia Federal, a dinâmica mais provável da ação que acarretou a morte dos posseiros teria ocorrido entre 6h e 7h, quando, naquela data, policiais civis e militares chegaram à fazenda para cumprir 14 mandados de prisão.

Os posseiros teriam escutado a movimentação de chegada dos policiais e empreenderam fuga para o interior da fazenda, ao mesmo tempo em que os policiais se dividiram em grupos.

Uma parte seguiu a pé para o interior da fazenda. Os demais grupos saíram em diferentes direções a fim de cobrir todo o quadrante da propriedade. De acordo com o laudo, os posseiros conseguiram se esconder em uma área de mata fechada, mas foram achados pelos policiais, que chegaram disparando vários tiros em direção ao local. Um dos tiros, disparado de uma espingarda a cerca de sete metros de distância, atingiu na cabeça Jane Júlia de Almeida, que morreu junto com um grupo de outras três pessoas. Os demais trabalhadores rurais foram rendidos e, em seguida, executados em outra sequência de disparos. Nenhum policial foi atingido.

Seis as armas dos 29 policiais civis e militares que participaram da ação efetivaram disparos. De acordo com a perícia, não há indícios de que os trabalhadores rurais tenham atirado.

Além da reprodução realizada no local, os peritos fizeram ensaios e croquis baseados nas versões apresentadas pelas testemunhas. Ainda segundo o relatório, os PMs pediram auxilio aos policiais que estavam na sede e pouco tempo depois uma equipe da Delegacia de Conflitos Agrários (DECA) e do Grupo Tático de Xinguara chegou ao local, quando começou uma nova sequência de disparos. Cinco das vítimas foram atingidas por uma arma que não foi entregue aos policiais.

Inquérito

Os resultados obtidos serão encaminhados à Justiça Militar e Civil para que, junto com outros laudos, auxiliem no esclarecimento e responsabilização dos fatos. Com a decisão do Ministério da Justiça de envolver a Polícia Federal no caso, o laudo também será enviado à autoridade policial que preside o inquérito pela PF.

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