Jungmann

Ministério muda versão sobre munição usada na execução de Marielle

Marielle: Nova versão aponta que não há associação direta entre o assassinato e os Correios da Paraíba

Isabela Veríssimo
Isabela Veríssimo
Publicado em 19/03/2018 às 15:49
Foto: CMRJ
Marielle: Nova versão aponta que não há associação direta entre o assassinato e os Correios da Paraíba - FOTO: Foto: CMRJ
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Diferente do que havia sido dito há três dias, o ministro extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, corrigiu informação fornecida à imprensa na sexta-feira (16) sobre a munição encontrada na local do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Gomes. Jungmann havia dito que a munição do lote UZZ-18, comprado pela PF, em 2006, da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), teria sido roubada de uma agência dos Correios na Paraíba.

Em nota divulgada nesta segunda-feira (19), a assessoria de comunicação do Ministério corrigiu a informação e disse que cápsulas do mesmo lote foram encontradas na agência do município de Serra Branca (PB) após um arrombamento seguido de explosão ocorrido em 24 de julho de 2017. Nessa nova versão, o ministério explica que o material não foi furtado, mas sim utilizado pelo grupo criminoso que realizou o roubo à agência.

Além do caso na Paraíba, o ministro também havia citado na sexta-feira, 16, um caso no Rio de Janeiro onde um escrivão teria sido preso e exonerado após ter furtado munições do lote UZZ-18. "A munição foi roubada nos Correios da Paraíba e desviada por um escrivão da Superintendência da Polícia Federal no Rio, exonerado e preso", disse o ministro, citando os dois casos.

Além dessas situações, o jornal O Estado de S. Paulo também revelou que munição do mesmo lote comprado pela PF teria sido encontrada pela polícia de São Paulo na cena da maior chacina do Estado, ocorrida nas cidades de Osasco e Barueri, em agosto de 2015, quando 17 pessoas foram mortas. Segundo Jungmann, todos os casos citados são alvo de investigação da PF.

Sem ligação direta

Ainda na nota divulgada pela sua assessoria de comunicação, Jungmann disse que não associou diretamente o episódio da Paraíba com as cápsulas encontradas no Rio de Janeiro, na cena do assassinato da vereadora e de seu motorista. Segundo a nota, o ministro apenas explicou que a "presença dessas cápsulas da PF no local pode ter origem em munição extraviada ou desviada" e informou "que há outros registros de munição da PF encontradas em outras cenas de crimes sob investigação".

"A Polícia Federal prossegue no rastreamento de possíveis outros extravios", diz a nota.

Confira, na íntegra, a nota do Ministério da Segurança Pública:

“Sobre a declaração do ministro Raul Jungmann a respeito de munição de propriedade da Polícia Federal encontrada na cena dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o Ministério Extraordinário da Segurança Pública esclarece:

1. A Polícia Federal instaurou o inquérito policial 1909/2017 na delegacia de Campina Grande para apurar o arrombamento à Agência dos Correios de Serra Branca/PB ocorrido em 24/07/2017;

2. O arrombamento foi seguido de explosão do cofre de onde foram subtraídos objetos e valores. Na cena do crime a PF encontrou cápsulas de munições diversas, dentre elas do lote ora investigado;

3. O ministro não associou diretamente o episódio da Paraíba com as cápsulas encontradas no local do crime que vitimou a vereadora e seu motorista. Explicou que a presença dessas cápsulas da PF no local pode ter origem em munição extraviada ou desviada e informou que há outros registros de munição da Polícia Federal encontradas em outras cenas de crime sob investigação;

4. O ministro citou os episódios da Paraíba e da superintendência do Rio, esta em 2006, como exemplos de munição extraviada que acabam em mãos de criminosos;

5. A Polícia Federal prossegue no rastreamento de possíveis outros extravios.”

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