INVESTIGAÇÃO

Laudo sugere automutilação em caso de jovem marcada com suástica

A perícia destaca que as lesões foram superficiais e uniformes, além da jovem não ter apresentado sinais de luta. No entanto, ainda não é possível afirmar que foi automutilação de fato

JC Online
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Publicado em 24/10/2018 às 10:05
Foto: Reprodução/Twitter
A perícia destaca que as lesões foram superficiais e uniformes, além da jovem não ter apresentado sinais de luta. No entanto, ainda não é possível afirmar que foi automutilação de fato - FOTO: Foto: Reprodução/Twitter
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O Instituto Geral de Perícias (IGP) concluiu o trabalho de apuração das lesões na jovem de 19 anos que teve um símbolo semelhante a uma suástica desenhado no corpo por um objeto cortante em Porto Alegre. O laudo, segundo informações da Rádio Gaúcha, aponta que houve lesões superficiais, contínuas, uniformes e sem profundidade em região do corpo facilmente acessível pela periciada. O IGP aponta que há sinais compatíveis com lesões autoinfligidas, mas que não há como confirmar ainda que foram de fato automutilação.

O laudo sugere ainda que os traços podem ter sido feitos própria vítima no seu corpo ou com o consentimento dela, colaboração ou, ainda que contra à vontade da jovem, sem resistência física por parte dela. Além disso, destaca que parece ter havido certo cuidado na hora de fazer as marcas.

"Pode-se concluir que as lesões tenham sido produzidas cautelosamente, de modo a não causarem dano às camadas profundas da derme, provocando alterações que são apenas superficiais. Não seria esperado produzirem-se lesões como estas, com as características das que foram evidenciadas neste exame de corpo de delito, por um agressor que agisse de forma tempestuosa e demasiadamente rápida, como se esperaria que fosse o caso em situações de agressões furtivas e em ambientes adversos", diz trecho do laudo.

A polícia segue investigando o caso para comprovar a autoria e identificar se ela de fato teve uma suástica marcada no corpo ou se o desenho em questão se trata do símbolo budista, que se assemelha ao nazista.

Em um primeiro momento, o IGP fez uma análise para tentar identificar se houve ofensa à integridade corporal da jovem, para saber o tipo de instrumento, se houve asfixia ou uso de substância tóxica, se a vítima ficou incapaz para ocupações habituais ou se teve problemas motores, se houve perigo de vida e se ficou incapaz permanentemente para o trabalho. Depois disso, passou a verificar as marcas no corpo. Além do símbolo parecido com uma suástica no lado esquerdo, foi desenhada também uma cruz no lado direito da barriga.

Depoimento

À polícia, a jovem, cujo nome não foi divulgado, contou que havia descido do ônibus e foi ofendida por três homens de preto. Segundo ela, a abordagem teria sido incentivada por ela estar usando adesivos que indicavam sua orientação sexual e preferência política. A mulher alega que foi segurada por dois deles, enquanto um terceiro fazia as marcas no seu corpo. Ela afirmou ainda que não se lembrava da cruz e de mais detalhes por ter entrado em pânico.

Os peritos destacaram que não houve consentimento da jovem em prosseguir com o exame de corpo delito e sugeriram uma comparação entre imagens feitas pelo IGP e imagens recebidas pela polícia para esclarecer dúvidas. Eles apontam, no entanto, que a vítima não apresentava lesões que seriam sinais característicos de quem reagiu a uma agressão.

Investigação

Nas imagens de câmeras de segurança obtidas pela 1ª Delegacia de Polícia da Capital, ainda não foram identificadas cenas como a descrita pela jovem. Além disso, há uma lista com 20 pessoas para serem ouvidas, entre trabalhadores ou moradores da região. Até o momento, nenhum dos que prestaram depoimento afirmaram ter testemunhado as agressões. A jovem, que não quis prestar queixa, já foi chamada para depor novamente, mas alegou ter passado mal e não pode ter comparecido.

O delegado Paulo César Jardim, responsável pelo caso, diz que ainda não definiu um prazo para concluir a investigação e que ainda pretende ouvir a vítima e tentar conseguir um depoimento da jornalista que divulgou a história nas redes sociais.

Caso foi parar no guia de Haddad

A suposta agressão foi veiculada no guia do candidato Fernando Haddad (PT) como um dos casos de violência supostamente praticados por apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL). O petista também citou o caso no twitter, mas apagou o post em seguida.

Bolsonaro usou o Twitter para criticar Haddad e o PT, a quem chamou de "canalhas" e "vagabundos".

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