Parque Nacional

'Fim de cobrança em praias inviabiliza visitação em Noronha', dizem especialistas

Presidente Bolsonaro questionou valores para turistas visitarem praias

Thiago Wagner Thiago Wagner
Thiago Wagner
Thiago Wagner
Publicado em 15/07/2019 às 18:02
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Foto: Heudes Regis /Acervo JC Imagem
Presidente Bolsonaro questionou valores para turistas visitarem praias - FOTO: Foto: Heudes Regis /Acervo JC Imagem
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Ambientalistas criticam a possibilidade do presidente Jair Bolsonaro extinguir a cobrança do ingresso para visitar o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, realizada desde 2012.

Para eles, a isenção do valor do ingresso de R$ 106 para turistas brasileiros e R$ 212 para estrangeiros inviabiliza a visitação em Fernando de Noronha.

Além do ingresso para visitar o parque, os turistas que vão a Noronha são obrigados a pagar uma taxa de preservação que varia de acordo com a quantidade de diárias na ilha. Ela começa em R$ 73,52.

Em postagem no Facebook no fim de semana, Bolsonaro classificou a cobrança como "roubo praticado pelo Governo Federal", prometeu rever a situação e pediu que a população denuncie práticas semelhantes em outros locais.

DEFESA DAS TAXAS

De acordo com Claudio Maretti, vice-presidente da Comissão Mundial de Áreas Protegidas, com o fim da cobrança do ingresso a qualidade de Fernando de Noronha vai cair.

"Fernando de Noronha é um arquipélago com fragilidades muito sérias e um turismo maior vai prejudicar o local. A visitação tem que ser limitada. A concessão à iniciativa privada permite ter estrutura de apoio com muito mais qualidade do que a precária qualidade com orçamento enxuto", disse Maretti.

A diretora Executiva da Rede Nacional Pró Unidades de Conservação, Angela Kuczach, acredita que a cobrança da taxa não impacta negativamente o turismo na região.

"Uma pessoa não vai deixar de ir até Fernando de Noronha porque ela tem que pagar R$106 de ingresso para entrar no parque. Ao contrário, o fato de você ir até lá, ter acessos de boa qualidade, ter trilhas bem manejadas, ter estrutura, acessibilidade, tudo isso é resultado da concessão. O que melhora o turismo é o serviço de qualidade e a segurança", explicou Ângela.

Para o professor do Instituto Oceanográfico da USP e responsável pela Cátedra Unesco para Sustentabilidade dos Oceanos, Alexander Turra, a possível isenção da cobrança de ingresso é uma medida imediatista do governo.

"Em um primeiro momento, [a extinção da taxa] pode parecer que traz benefícios, mas a longo prazo traz degradação ao ambiente. A cobrança de taxa é feita para que se tenha uma estrutura apropriada, para que o turismo seja feito de forma qualificada. Esse é o princípio", disse.

De acordo com Turra, o ambiente não suporta mais gente. "A ideia é trabalhar a visitação em função da capacidade de carga (coleta e tratamento de esgoto, coleta de água, coleta de lixo, hospital etc). Tem uma lógica e não se pode romper isso", explicou.

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