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PE diz que não recebeu do Governo Federal boias de contenção suficientes

Segundo o secretário de Meio Ambiente de Pernambuco, o Estado solicitou na quinta-feira (17) material de contenção para impedir avanço das manchas de óleo

Maria Ligia
Maria Ligia
Publicado em 20/10/2019 às 17:24
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Foto: Amanda Rainheri/ JC
Segundo o secretário de Meio Ambiente de Pernambuco, o Estado solicitou na quinta-feira (17) material de contenção para impedir avanço das manchas de óleo - Foto: Amanda Rainheri/ JC
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Atualizado às 18h16

O secretário estadual de Meio Ambiente de Pernambuco, José Bertotti, falou neste domingo (20) que o Estado solicitou na última quinta-feira (17) ao Governo Federal mais boias de contenção para impedir o avanço do óleo sobre as praias pernambucanas, mas que até agora não houve retorno.

"No dia 17 a gente solicitou ao Ministro do Meio Ambiente (Ricardo Salles) e não recebeu a informação. Nós fizemos a conta que precisa de 3 kms de boia de contenção para poder cobrir todas as entradas do estuário do Litoral Sul", disse. Segundo Bertotti, o Governo do Estado não possui esse equipamento.

"Fora os EPIs que a gente está tendo que pedir. Tivemos doações de empresas que estão cedendo alguns materiais para poder ajudar nesse trabalho de contenção", completou. 

As declarações foram dadas em coletiva de imprensa com representantes da Marinha do Brasil e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O secretário interrompeu o comandante de Operações Navais, Almirante Leonardo Puntel, após ele dizer que o Grupo de Acompanhamento e Avaliação, em parceria com órgãos como Petrobras e Força Aérea Brasileira, está trabalhando "desde o momento em que esses óleos começaram a aparecer".

"Desde o início eles estão reunidos e conversando e procurando alguma solução para isso. Esse trabalho conjunto organizado e bastante articulado esta sendo feito desde o dia 2", afirmou o Almirante.

Bertotti então criticou a execução do Plano Nacional de Contingência. "Digo com todo respeito, pelo papel que o Ibama tem cumprido aqui, pelo papel que a Marinha tem cumprido aqui, mas efetivamente foi mais nessa fase final que a gente teve uma ação mais coordenada. A gente não identificou e sente ainda que muitos equipamentos não estão chegando a tempo para a gente fazer as ações efetivas", respondeu.

"A gente sente que talvez (o Plano Nacional de Contingência) pudesse ter sido mais efetivamente articulado, exatamente no sentido de ter todas as boias de contenção necessárias." "A gente, por exemplo, ainda no Litoral Sul, não conseguiu colocar todas as boias de contenção em todas as entradas de Suape", revelou.

Em resposta, o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Olivaldi Azevedo, afirmou que as barreiras de contenção não são efetivas para conter esse tipo de óleo. "Não há barreira que segure esse óleo, por conta da densidade, da maré. Não somos contra barreiras, somos a favor de barreiras onde tecnicamente elas são viáveis", disse. Segundo os técnicos, o óleo é similar a um piche.

Em outro momento, o secretário voltou a falar que o Governo Federal não repassou nenhum recurso extra para o Estado. "Todos os equipamentos que foram cedidos para os voluntários estão sendo providenciados a partir dos esforços do Governo de Pernambuco". O Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional estabelece que os custos de um desastre ambiental desta ordem, enquanto o culpado não é identificado, deve ser arcado pela União. 

Balanço do desastre

Segundo secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, José Bertotti, de quinta-feira (17) até o domingo (20), 71 toneladas de óleo foram recolhidas do litoral do Estado. Em todo o Nordeste, a Marinha do Brasil divulgou que já foram coletadas 525 toneladas de petróleo desde 2 de setembro, quando as primeiras manchas surgiram nas praias da região.

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