Porto Alegre

Motorista banido da Uber por assédio diz que jovem 'usava short tipo Anitta' e cantora se revolta

Anitta criticou postura do condutor e defendeu garota

JC Online
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Publicado em 18/02/2020 às 20:02
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Anitta criticou postura do condutor e defendeu garota - FOTO: Foto: Reprodução
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Após a denúncia de assédio feita por uma jovem de 17 anos contra um motorista da Uber, e o consequente banimento do mesmo da plataforma, o condutor tentou argumentar o fato. Segundo ele, a garota estaria usando "roupas curtas" e sentada em posição “para chamar sua atenção”.

“Ela estava com um short tipo Anitta, com uma mini blusa, com as pernas abertas no banco e chamando a atenção”, disse o motorista. A corrida ocorreu na Região Metropolitana de Porto Alegre.

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Ao ver o vídeo e comentário do motorista, a cantora Anitta se revoltou nas redes sociais. Além de criticar a declaração, saiu em defesa da garota. 

Veja o post de Anitta

 

 

"Acabei de receber este vídeo onde o motorista de Uber que assediou uma passageira menor de idade tenta justificar o injustificável (seu assédio) dizendo que a menina estava usando um short "tipo Anitta" e sentada numa posição favorável ao assédio. Nada justifica um assédio. A forma de se vestir, sentar, falar, etc não significa qualquer autorização ou pedido ou convite a ser assediada e/ou invadida, abusada, estuprada, etc", afirmou a cantora nas redes sociais.

"Quanto à menina estar usando um short "tipo Anitta", pra mim significa que ela é independente, não tem medo de ser quem ela quer e, acima de tudo, bem inteligente pra denunciar e expor um assediador para que outras meninas não passem pelo mesmo que ela", complementou Anitta.

Comportamento foi filmado

A denúncia veio a partir de vídeo gravado pela própria adolescente. Na gravação, é possível ouvir o momento em que a jovem avisa ao homem que é menor de idade, mas o motorista rebate e diz que "não seria um problema". Assim, ele continua: "seria problema se tivesse 13 anos, e acho que tu não tem 13 anos, 14 para cima tu já é responsável", disse ele.

Depois, em outra gravação, ele afirma: "Eu namoraria contigo se tu não tivesse namorado". A jovem lembra ao motorista que ele tem idade para ser pai dela e o motorista responde: "mas eu não sou teu pai. Eu faria coisas que teu pai não faria, pode ter certeza".

Confira nota na íntegra da Uber

A Uber considera inaceitável e repudia qualquer ato de violência contra mulheres. A empresa acredita na importância de combater, coibir e denunciar casos dessa natureza às autoridades competentes. A conta do motorista parceiro foi banida assim que a denúncia foi feita.

A empresa defende que as mulheres têm o direito de ir e vir da maneira que quiserem e têm o direito de fazer isso em um ambiente seguro. Todas as viagens com a plataforma são registradas por GPS. Isso permite que em caso de incidentes nossa equipe especializada possa dar o suporte necessário, sabendo quem foi o motorista parceiro e o usuário, seus históricos e qual o trajeto realizado.

Como parte do processo de cadastramento para utilizar o aplicativo da Uber, todos os motoristas passam por uma checagem de antecedentes criminais realizada por empresa especializada que, a partir dos documentos fornecidos pelo próprio motorista e com consentimento deste, consulta informações de diversos bancos de dados oficiais e públicos de todo o País em busca de apontamentos criminais, na forma da lei. A Uber também realiza rechecagens periódicas dos motoristas já aprovados pelo menos uma vez a cada 12 meses.

Desde 2018 a Uber tem um compromisso público para enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil, materializado no investimento em projetos elaborados em parceria com entidades que são referência no assunto, que inclui campanhas contra o assédio e podcast para motoristas parceiros sobre violência contra a mulher, entre outras ações. Em novembro, a Uber anunciou um investimento de R$ 5 milhões para continuidade desse compromisso ao longo dos próximos anos.

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