SAÚDE

Em vídeo, ministro da Saúde pede solidariedade a chineses vítimas de xenofobia por coronavírus

''No momento, o povo chinês precisa mais do que nunca da solidariedade, típica dos brasileiros'', afirma o ministro; confira o vídeo

Cássio Oliveira
Cássio Oliveira
Publicado em 27/02/2020 às 14:00
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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
''No momento, o povo chinês precisa mais do que nunca da solidariedade, típica dos brasileiros'', afirma o ministro; confira o vídeo - FOTO: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O Ministério da Saúde divulgou um vídeo, nesta quinta-feira (27), no qual o ministro Luiz Henrique Mandetta fala sobre xenofobia e pede solidariedade para com estrangeiros, especialmente os chineses, por conta da epidemia do coronavírus (Covid-19) no mundo. "No momento, o povo chinês precisa mais do que nunca da solidariedade, típica dos brasileiros, típica de um país multirracial, multiétnico", afirma o ministro na gravação.

Na última semana, o jornal O Globo informou que a página do Instituto Cultural Brasil-China, que criou um Observatório do Coronavírus para repassar informações confiáveis à comunidade chinesa no Brasil, foi alvo de dezenas de comentários grosseiros e racistas com frases como "uma nação nojenta e não tem um pingo de higiene, frios com os animais, nota zero, vejo que esses comportamentos não são de seres humanos" e "deveríamos deportar todos os xing ling do Brasil e cortar relações internacionais com eles para sempre!!".

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"Tem uma medida que não cabe: o preconceito, a rotulagem. O povo chinês está lidando com a galhardia, com o conhecimento e com o que eles têm de melhor. Não esquecemos que, há poucos anos atrás, foi no Brasil que se fez um alerta de emergência internacional sobre o zika vírus e a microcefalia. Não seria correto que todos os brasileiros fossem recebidos em lugares do mundo pensando no zika vírus. Assim como não é correto que as pessoas de origem oriental sofram qualquer tipo de preconceito ou rotulagem", explicou o ministro da saúde.

Além da China, ao menos 40 países já registraram casos confirmados de infecção por coronavírus, incluindo o Brasil, que confirmou nessa quarta-feira (26) o primeiro caso de infecção. Trata-se de um homem de 61 anos, morador da cidade de São Paulo, que esteve na região da Lombardia, no norte da Itália, entre os dias 9 e 21 de fevereiro. Ao retornar da viagem, na última sexta-feira (21), o paciente apresentou os sinais e sintomas compatíveis com a doença (febre, tosse seca, dor de garganta e coriza). 

Já em Pernambuco, três casos são suspeitos do novo coronavírus, segundo número divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado, nessa quarta-feira (26). Todas elas são pernambucanas e estiveram recentemente na Itália. O resultado dos exames sairá nesta sexta-feira (28). O assessor da Secretaria Estadual de Saúde, Demétrius Montenegro detalhou o estado de saúde das pessoas sob suspeita de terem contraído o novo coronavírus. Segundo ele, a mulher, identificada como o primeiro caso suspeito, "encontra-se muito bem clinicamente, com melhoras" em relação aos sintomas de garganta, mas que continua em observação para confirmar a hipótese de coronavírus.

Com relação ao segundo caso, Montenegro informou que se trata de um rapaz pernambucano de 24 anos, que chegou há dez dias da cidade de Trento, no norte da Itália, "local mais crítico em relação ao coronavírus". "Ele há 24 horas começou com um quadro de calafrio, tosse seca que evoluiu para tosse com secreção, ele tem doença de base, a asma, ficou com falta de ar e está clinicamente estável", disse o especialistas. "Como é protocolo, pela falta de ar ele fica internado na UTI do Hospital Osvaldo Cruz", reportou.

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O terceiro paciente é um homem de 41 anos, também de Pernambuco. Ele esteve recentemente em Veneza, no Norte da Itália, e voltou para o Recife no último dia 12 de fevereiro. O paciente se encontra internado no Hospital Santa Joana, no bairro das Graças, Zona Norte do Recife. Este paciente teve alguns sintomas respiratórios e febre e se encontra isolado na unidade de saúde.

Itália

Pelo menos 400 pessoas já foram infectadas pelo novo coronavírus na Itália até a publicação deste texto. Dessas, 221 estão em isolamento domiciliar, 128 internados e 36 sob cuidados intensivos. As autoridades italianas já bloquearam vilas com "fronteiras físicas", impedindo a população de sair.

Na região de Lombardia há mais de 90 casos confirmados e, por isso, a maioria das vilas está fechada. Não se pode entrar na vila de Codogno, por exemplo. Neste momento, já são escassos os produtos alimentícios e até máscaras de proteção na região.

China

A China espera ter o surto do novo coronavírus sob controle no fim de abril, disse, nesta quinta-feira (27), o chefe da equipe de médicos especialistas da Comissão Nacional de Saúde da China, o pneumologista Zhong Nanshan.

"A China está confiante de que vai controlar o surto, em termos gerais, até o fim de abril", disse Zhong, em entrevista em Cantão, a capital da província de Guangdong. Ele garantiu que, "embora tenha havido grande surto em Wuhan, a doença não se espalhou de forma maciça em outras cidades".

Uso de máscaras e álcool em gel

Apesar da crescente procura da população por máscaras e álcool em gel, com receio da propagação do Covid-19, é preciso cautela. Isto porque o uso das máscaras é indicado apenas para pessoas que têm vínculo epidemiológico, ou seja, estiveram em países como China, Coreia do Sul e Itália nos últimos 14 dias e apresentam sintomas como tosse, febre e falta de ar. Em relação ao álcool em gel e à higienização das mãos, o cuidado envolve a forma e a frequência, visto que não há restrições e que as ações deveriam fazer parte da rotina.

O que é coronavírus (COVID-19)?

Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (SARS-CoV-2) foi descoberto em 31 de dezembro de 2019 após casos registrados na China. Os primeiros coronavírus humanos foram isolados pela primeira vez em 1937. No entanto, foi em 1965 que o vírus foi descrito como coronavírus, em decorrência do perfil na microscopia, parecendo uma coroa.

A maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus. Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1.

Como prevenir o coronavírus?

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o coronavírus. Entre as medidas estão:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, respeitando os 5 momentos de higienização. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Ficar em casa quando estiver doente.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo.
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com freqüência.
  • Profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (mascára cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção).

Para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como intubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizado precaução por aerossóis, com uso de máscara N95.

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