CRIME

Estilista Galliano é julgado por antissemitismo

Uma condenação vai depender se o tribunal determinar se os insultos foram feitos em público ou não

Fábio Jardelino
Fábio Jardelino
Publicado em 22/06/2011 às 15:34
Foto: AFP
FOTO: Foto: AFP
Leitura:

John Galliano, ex-estilista da Dior, foi levado a julgamento hoje por declarações antissemitas feitas no interior de um café em Paris. As declarações do estilista chocaram o mundo da moda e custaram a ele seu emprego na famosa grife francesa.

O estilista britânico compareceu hoje ao julgamento, que vai durar um dia, após meses longe da visão do público. Com roupas conservadoras para seus parâmetros, Galliano estava vestido de preto com um lenço de bolinhas no pescoço, seu bigode fino e cabelos longos.

Ele é acusado de "insultos públicos baseados na origem, religião afiliação, raça ou etnia", e pode pegar até seis meses e prisão e pagar uma multa de 22,5 mil euros (US$ 32.175). O veredicto não deve ser divulgado hoje. O famoso designer foi escoltado para a primeira fileira de assentos do tribunal do Palácio da Justiça, sentando-se perto de um intérprete ao enfrentar três juízes que decidirão seu futuro.

Jornalistas, dentre eles os que cobrem o mundo da moda, se aglomeravam nos bancos de madeira do tribunal, que no teto tem a figura de uma mulher equilibrando a balança da justiça. Câmeras de televisão não foram permitidas no interior do tribunal.

Um casal afirma que Galliano fez comentários antissemitas para eles em um café de Paris em fevereiro. Na ocasião ele foi levado pela polícia para interrogatório. Um teste provou que ele estava bêbado durante o episódio.

Outra mulher fez acusações semelhantes a respeito de um outro incidente que teria acontecido no mesmo café em outubro do ano passado. As duas acusações fazem parte do processo que é julgado agora. Dias antes do incidente, ocorrido em fevereiro, um vídeo postado no site do tabloide britânico The Sun mostrou Galliano, embriagado, insultando um cliente do café e gritando "eu amo Hitler".

Seu advogado, Aurelien Hamelle, disse à Associated Press nesta semana que os comentários do estilista foram "equivocados e prejudiciais", mas os atribuiu à dependência de Galliano do álcool e remédios. O advogado disse que vai chamar as testemunhas que estavam no café durante o processo e que afirmaram não ter ouvido nenhum insulto de Galliano.

Galliano publicou recentemente um comunicado no qual dizia que "o antissemitismo e o racismo não têm lugar em nossa sociedade. De forma incondicional, eu peço desculpas por meu comportamento". Ele também disse que está "buscando ajuda" para suas falhas pessoais e que passou dois meses em uma clínica de reabilitação nos Estados Unidos.

Uma condenação vai depender se o tribunal determinar se os insultos foram feitos em público ou não. A lei francesa proíbe que uma pessoa seja insultada por outra por causa de sua origem, raça ou religião.

O incidente no café e o vídeo tiveram grande impacto no mundo da moda porque se tornaram públicos na véspera da Paris Fashion Week. A Dior demitiu Galliano após 14 anos de trabalho na empresa e condenou suas declarações.

Contratado pela grife em 1996, Galliano deixou uma marca indelével na casa de moda, com apresentações teatrais, algumas vezes chocantes, que estavam dentre os desfiles mais aguardados do calendário fashion de Paris. As informações são da Associated Press.

O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias