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Polícia chilena reprime manifestação estudantil

Pelo menos 133 pessoas foram detidas pelas forças de segurança, no protesto que exigia a melhora do sistema de ensino

Lorena Tapavicsky
Lorena Tapavicsky
Publicado em 04/08/2011 às 18:11
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A tropa de choque da polícia de Santiago usou canhões d'água e bombas de gás lacrimogêneo para reprimir milhares de estudantes que saíram às ruas nesta quinta-feira (4) para exigir a melhora do sistema de ensino no Chile. Pelo menos 133 pessoas foram detidas pelas forças de segurança, informaram autoridades locais.

Em alguns pontos do centro da cidade o ar era irrespirável. Diversas estações de metrô permaneceram fechadas e o transporte público sofria interrupções temporárias.

Ontem, quando agremiações de estudantes confirmaram a marcha, o ministro chileno de Interior, Rodrigo Hinzpeter, e outros funcionários disseram considerar o protesto "ilegal" e anteciparam que haveria repressão. Mas os estudantes foram para a manifestação mesmo assim.

Os estudantes, que exigem mudanças no desigual e subfinanciado sistema público de educação do Chile, montaram barricadas e queimaram pneus em diversos pontos da capital do país sul-americano. Enquanto a maior parte protestava pacificamente, alguns manifestantes mascarados atiraram pedras em carros da polícia e ônibus que passavam perto de onde estava.

"Tudo tem limite", disse o presidente do Chile, Sebastián Piñera.

"Parece um estado de sítio. Imagino que deve ter sido parecido com o que acontecia 30 anos atrás", comparou Camila Vallejos, uma porta-voz dos estudantes universitários. "Nem ao menos o direito de reunião em lugares públicos está garantido."

Estudantes, professores e outros profissionais da educação participaram em massa dos protestos das últimas semanas pela melhora no sistema educacional, em alguns casos chegando a reunir cerca de 100.000 pessoas. Em meio ao movimento, um grupo de estudantes iniciou uma greve de fome. Eles contam atualmente com 33 adesões.

Os estudantes exigem que o governo destine mais recursos para financiar a educação e querem mudanças fundamentais em um sistema imposto durante a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990) e que deixa as escolas públicas à mercê de governos locais deficitários.

Na segunda-feira, o conservador Piñera apresentou uma proposta de reforma do sistema educacional, mas optou por limitar o debate a governo e Parlamento, excluindo da discussão os estudantes e os professores. Entre outros pontos, Piñera propôs elevar gradualmente a verba para a educação e transferir a responsabilidade pelo ensino para o governo federal.

No entanto, a proposta de Piñera não abrange uma exigência fundamental do estudantes: obrigar as universidades particulares a reinvestirem uma parcela maior de suas receitas, uma vez que a legislação chilena as considera instituições sem fins lucrativos.

A oposição a Piñera não aceitou participar do diálogo entre governo e parlamentares e os estudantes prometeram retomar os protestos por considerarem insuficiente a proposta oficial.

O governo, diante disso, ameaça apresentar a proposta de Piñera ao Congresso mesmo sem o apoio dos estudantes e da oposição. O resultado de tal desdobramento é imprevisível, uma vez que o governo de centro-direita conta com uma tênue maioria na Câmara dos Deputados e a oposição de centro-esquerda controla o Senado.

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