Desconfiança

Regime norte-coreano agrava fome de 6 milhões

O regime teme ser alvo de espionagem e suspeita que qualquer abertura termine em uma "primavera" como a do mundo árabe

Aline Souza
Aline Souza
Publicado em 16/10/2011 às 10:23
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A Coreia do Norte fechou ainda mais suas fronteiras e está impedindo o acesso de agências de ajuda humanitária ao país. O regime teme ser alvo de espionagem - principalmente em suas instalações nucleares - e suspeita que qualquer abertura termine em uma "primavera" como a do mundo árabe. Enquanto isso, mais de 6 milhões de norte-coreanos estão famintos, alerta a ONU, e 30% das crianças sofrem de desnutrição crônica.

"Estamos diante de uma crise de falta de alimentos e de desnutrição de proporções semelhantes às de um desastre natural com impacto terrível, principalmente nas crianças", disse ao Estado, por telefone, o porta-voz do Programa Mundial de Alimentos da ONU para a Ásia, Marcus Marcus Prior. "Nos menores de 2 anos, o nível de desnutrição que estamos vendo tem consequências físicas e mentais irreversíveis."

A crise na Coreia do Norte pode ser ainda mais dramática do que a revelada pelo programa. Isso porque os agentes humanitários têm acesso a pouco mais da metade dos 200 municípios do país. Nos demais, estrangeiros não podem entrar. Se forem pegos em áreas restritas sem autorização oficial, podem ser detidos e condenados a trabalhos forçados em campos de concentração. "Trabalhamos no norte e leste, áreas tradicionalmente afetadas pela escassez de alimentos, mas não temos uma ideia exata da situação em todo o país."

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