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Aliado de Ahmadinejad sobrevive a voto no Parlamento

Ahmadinejad fez um apelo antes da votação e afirmou que remover Hosseini do cargo representaria um retrocesso para o Irã, que se esforça no momento em lutar contra as sanções internacionais que o país sofre

Fábio Jardelino
Fábio Jardelino
Publicado em 01/11/2011 às 15:08
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O ministro da Economia do Irã, Shamseddin Hosseini, sobreviveu a um voto no Parlamento nesta terça-feira (1°) e continuará no cargo, após o presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, ter feito um apelo aos parlamentares que mantivessem seu governo intacto para que ele possa enfrentar as sanções internacionais que pesam sobre o Irã por causa do programa nuclear do país. No total, 141 parlamentares votaram contra a demissão de Hosseini, enquanto 93 votaram a favor da queda do ministro. Dez parlamentares se abstiveram e 46 estavam ausentes. Hosseini é acusado de não fazer nada após tomar conhecimento de uma fraude financeira de US$ 2,6 bilhões nos bancos estatais.

Ahmadinejad fez um apelo antes da votação e afirmou que remover Hosseini do cargo representaria um retrocesso para o Irã, que se esforça no momento em lutar contra as sanções internacionais que o país sofre por causa do seu polêmico programa nuclear. A comunidade internacional impôs várias sanções sobre o Irã e suspeita que o país desenvolva seu programa nuclear com finalidades bélicas. O Irã nega e diz que seu objetivo é produzir energia.

Ahmadinejad disse nesta terça-feira (1°) que Hosseini teve um papel crucial na luta do Irã contra as sanções. "Precisamos colocar essa questão (o escândalo financeiro) de lado, uma vez que a situação é crítica", disse o presidente aos parlamentares.

O líder do Parlamento, Ali Larijani, disse um pouco antes da votação que os parlamentares votariam a favor de Hosseini, após o ministro ter pedido desculpas públicas e prometer trabalhar duro contra a corrupção. "Se as minhas desculpas acalmarem o povo, eu ofereço minhas desculpas ao povo e a vocês", disse Hosseini aos parlamentares durante a sessão.

As declarações de Larijani indicam que a liderança teocrática do Irã não planeja aumentar a pressão sobre Ahmadinejad, por causa da questão nuclear iraniana. Também pode indicar que o próprio presidente não será convocado a dar explicações ao Parlamento em breve. No domingo passado, os parlamentares reuniram o número suficiente de assinaturas para que Ahmadinejad compareça ao Parlamento para se explicar sobre o escândalo de corrupção. Ele não é diretamente acusado e nem está envolvido, mas existe uma disputa política entre o presidente, que quer acumular poderes na presidência, e a liderança teocrática do Irã, personificada pelo aiatolá Ali Khamenei, que possui palavra final em todos os assuntos de Estado no país. O Irã também terá eleições parlamentares em 2012.

As informações são da Associated Press.

 

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