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Repressão e confrontos deixam 28 mortos na Síria

A violência na província de Idlib mostra como os protestos contra o governo sírio, que tiveram início em meados de março com manifestações pacíficas, degeneraram ao redor do país para uma insurreição armada

Millena Gomes
Millena Gomes
Publicado em 13/12/2011 às 15:52
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Forças de segurança do governo sírio abriram fogo contra uma procissão funeral nesta terça-feira (13) e mataram duas pessoas na província de Idlib, o que elevou para 28 o total de pessoas mortas hoje em episódios violentos na Síria, informaram grupos de ativistas sírios. Mais cedo, outras 11 pessoas foram mortas em Idlib por disparos das forças do governo e da milícia Shabiha. Dois desertores que tentaram se infiltrar na Síria pela região montanhosa de Idlib, vindos da Turquia, também foram mortos, informou o governo.

Mais tarde, desertores se vingaram das tropas do governo e atacaram um posto militar na cidade de Bab el-Hawa, matando sete soldados, disse o Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, grupo de ativistas sediado em Londres. A cidade também fica na região montanhosa de Idlib.

A violência em Idlib mostra como os protestos contra o governo sírio, que tiveram início em meados de março com manifestações pacíficas, degeneraram ao redor do país para uma insurreição armada, que agora atinge até o interior e áreas na fronteira com a Turquia. Em Damasco, uma importante blogueira síria, Razan Ghazzawi, nascida nos Estados Unidos, foi detida pelas autoridades e acusada de incitar lutas sectárias, disse o governo. A jovem foi detida no dia 4 de dezembro e não ontem, afirmou o Centro Sírio para a Liberdade de Expressão e Mídia. Se sentenciada, ela pode ser condenada a 15 anos de prisão.

Rami Abdul Rahman, diretor do Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, e outros ativistas sírios, disseram que milhares de moradores se manifestavam contra o governo em uma procissão funeral em Idlib, perto da fronteira turca, quando foram atacados a tiros. Eles sepultavam pessoas mortas em um protesto de ontem. Não foi possível confirmar o número de mortos de maneira independente, uma vez que o governo sírio restringiu a entrada de jornalistas estrangeiros no país.

Desertores conhecidos como o Exército Livre da Síria têm encontrado abrigo junto a milhares de refugiados sírios na província turca de Hatay, na fronteira. De lá, eles lançam ataques na região montanhosa de Idlib.

"Onze pessoas foram mortas e dezenas de outras se feriram na terça-feira por disparos das forças de segurança e da Shabiha", uma milícia favorável ao regime, informou o Observatório Sírio pelos Direitos Humanos. Segundo a organização não governamental, os ataques ocorreram nas áreas de Maarret Masrin e Kfar Yahmul, na província de Idlib.

Além disso, uma explosão atingiu um gasoduto perto da cidade de Rastan, na província de Homs, informou a agência estatal Sana, atribuindo o ataque a "terroristas". Não há registros sobre feridos. A imprensa estatal também informou sobre a morte de dois "terroristas" armados, que tentavam se infiltrar no país vindos da Turquia. A agência Sana afirmou que dois terroristas ficaram mortos e vários se feriram, em um confronto com guardas na província de Idlib.

Na segunda-feira, as Nações Unidas afirmaram que mais de 5 mil pessoas foram mortas pela repressão oficial a protestos contra o governo de Assad e por democracia.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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