Emirados Árabes

Três exploradores percorrem o maior deserto do mundo em 44 dias

Adrian Hayes, um explorador britânico, e seus dois companheiros, Saïd al-Mesafry e Ghafan al-Jabry, tinham como objetivo refazer uma histórica expedição do explorador Wilfred Thesiger (1910-2003)

Millena Gomes
Millena Gomes
Publicado em 13/12/2011 às 15:43
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ABU DABI - Um britânico e dois exploradores dos Emirados Árabes Unidos saíram vitoriosos numa aposta:
percorreram em 44 dias o Rub'al Khali, um dos maiores desertos do mundo, em lombo de camelo. Os três homens chegaram na tarde desta terça-feira a Abu Dhabi, onde foram a sensação, ao final de uma aventura de 1.600 quilômetros.

Adrian Hayes, um explorador britânico, e seus dois companheiros, Saïd al-Mesafry e Ghafan al-Jabry, partiram, no final de outubro, de Salalah, no sul do sultanato de Omã, fazendo a viagem montados em camelo, levando, apenas, algumas provisões e contando com a hospitalidade dos beduínos. Tinham como objetivo refazer uma histórica expedição do explorador Wilfred Thesiger (1910-2003), conhecido no deserto como Mubarak ben (filho de) London.

"Sinto-me incrivelmente privilegiado de ter tomado parte nesta experiência. Mas foi muito diferente da viagem de Mubarak bin London, que visitou a Arábia há 65 anos", declarou Adrian Hayes, 53 anos, ao chegar. Como seus companheiros, parecia cansado e estava barbado. Thesiger fez a travessia do Rub'al Khali (o Quarto Vazio) nos anos 40, uma aventura que relatou em seu livro "Arabian Sands".

Entre as pessoas que receberam os três homens em Abu Dabi estava um velho de rosto sulcado e de longa barba branca, Salem bin Kabina. Quando tinha 12 anos, acompanhou Thesiger em seu périplo. "Há uma grande diferença entre a viagem deles e a que realizamos, antes. Nós tivemos muito medo, podíamos morrer a qualquer momento. Levamos 90 dias na época", declarou à AFP o octogenário, que veio do oásis de Al Aïn.

Para Adrian Hayes, o primeiro desafio tomou a forma de uma tempestade trazida por um ciclone, na região de Salalah, no momento da partida. "As patas dos camelos chafurdavam na areia molhada...", contou ele. "Os camelos não estavam acostumados às montanhas, mas ao deserto", o que complicou a primeira etapa da viagem pelas montanhas de Dhofar, no sul do sultanato de Omã, explicou Saïd al-Mesafry, 26 anos.

Os dois homens dos Emirados transmitiram ao explorador britânico seu conhecimento das montarias e das maneiras de sobreviver no deserto. Avançando onze horas por dia, a equipe atravessou vários sítios históricos, louvados por Sir Wilfred Thesiger, entre eles Shihr, na antiga rota do incenso das caravanas. "A expedição nos tornou irmãos, depois de enfrentarmos tantos obstáculos juntos", comentou Saïd al-Mesafry, confessando, entre os carros e os
arranha-céus de Abu Dabi, que o deserto já começava a lhe fazer falta.

Adrian Hayes, um ex-oficial britânico, mostrou-se impressionado com a "hospitalidade dos beduínos". Além disso, "encontramos muitas pessoas, cujos pais conheceram Thesiger, e que demontraram um imenso respeito por ele", contou. O explorador britânico Hayes, que já está no livro Guinness de recordes por ter ido aos polos norte e sul e ao monte Everest num período curto de tempo, prepara uma nova expedição, que o levará, desta vez, "a caminho do frio".

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