Chile

Familiares velam corpos de bombeiros mortos em incêndio no chile

Acidente aconteceu no último dia do ano passado na região de Araucanía, sul do Chile

Rafael Carvalheira
Rafael Carvalheira
Publicado em 07/01/2012 às 17:47
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SANTIAGO - Os sete bombeiros que morreram em um incêndio florestal ocorrido na região de Araucanía, sul do Chile, foram velados neste sábado (7) em meio à dor de seus familiares, enquanto outros dois bombeiros que ficaram feridos foram levados a Santiago.

Os corpos foram entregues a seus familiares pelo Serviço Médico Legal da cidade de Temuco (700 km ao sul de Santiago), para onde tinham sido levados após serem encontrados perto da comuna de Carahue, onde os bombeiros tentavam apagar um incêndio que ameaçava o prédio da madeireira Forestal Mininco.

Os familiares velavam os corpos dos bombeiros neste sábado, alguns deles pais de família e com anos de experiência em combater incêndios, como era o caso de Marcelo de La Vega, 34 anos, chefe da brigada formada por 10 pessoas e que também trabalhou em Portugal na extinção de sinistros.

"Tomara que com isso haja mais proteção, porque este trabalho é muito difícil e muito arriscado, sobretudo para os que têm família", disse visivelmente emocionada Mariana Contreras, mulher do bombeiro morto, a veículos da imprensa local.

Três das vítimas não tinham mais de 20 anos. Uma delas, Cristián Freire, 18 anos, trabalhava como bombeiro para ter dinheiro e poder cursar universidade.

"Como era de uma família de escassos recursos, queria trabalhar para bancar seus estudos", relatou com tristeza Juan Freire, tio do jovem, citado pelo jornal La Tercera.

Os corpos dos bombeiros serão sepultados no domingo em Carahue, anunciaram os familiares. No entanto o governo decretou luto neste sábado nas regiões de Araucanía e Biobío, pela morte dos sete bombeiros, o que significa a suspensão das atividades de instituições públicas.

Outros dois bombeiros, Gonzalo Contreras e Julio Marín, que sofreram graves queimaduras, foram levados neste sábado a Santiago, onde são atendidos no hospital do Trabalhador.

"Contreras está com 25% da superfície do corpo queimada, e as vias respiratórias foram prejudicadas pela inalação dos gases, o que representa uma gravidade relevante", disse o chefe da Unidade de Queimados do Hospital do Trabalhador, Ricardo Roa.

Mas Marín apresenta "6% de seu corpo queimado e sofre também de choque pós-traumático", completou Roa. Os dois feridos permanecerão no hospital por dois meses, completou o médico.

Héctor Herrera foi o único a sair ileso do grupo de 10 bombeiros que combateu as chamas do incêndio de Carahue, que segundo o Escritório Nacional de Emergência (Onemi) informou neste sábado foi "tecnicamente controlado".

O presidente Sebastián Piñera manifestou suas suspeitas de que este incêndio tenha sido criminoso, e apresentou uma ação judicial em nome do governo chileno invocando a aplicação de uma severa lei antiterrorista para aqueles que forem considerados culpados.

As primeiras suspeitas apontam para um grupo radical mapuche, a maior etnia indígena chilena, que reclama a propriedade das terras da região onde ocorreu o incêndio alegando direitos ancestrais, versão rejeitada por líderes mapuche.

"Trata-se de uma tremenda irresponsabilidade apontar o dedo de forma imediata aos mapuches quando acontece algo", disse o líder mapuche Mijael Carbone, citado pelo jornal La Tercera.

O incêndio de Araucanía soma-se a outros que foram registrados na região de Biobío - onde um homem de 75 anos morreu -, Maule e no parque natural Torres del Paine, que arrasaram mais de 51.000 hectares.

"Temos oito incêndios ativos, dos quais quatro são de maior envergadura, dois em Biobío e outros dois em Araucanía", disse o porta-voz do governo, Andrés Chadwick, em coletiva de imprensa.

Países como Argentina, Brasil e Uruguai enviaram bombeiros ao Chile para ajudar no controle das chamas.

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