Bombas

Atentados deixam pelo menos 17 mortos no Iraque

Violência acontece apenas duas semanas antes do Iraque sediar uma cúpula de países árabes

Milton Raulino
Milton Raulino
Publicado em 07/03/2012 às 17:49
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Atentados desfechados no Iraque mataram pelo menos 17 pessoas nesta quarta-feira (7), incluídas 14 que foram mortas em um ataque com duas bombas na cidade nortista de Tal Afar, na província de Nínive, perto da Síria. A violência acontece apenas duas semanas antes do Iraque sediar uma cúpula de países árabes.

"No começo da tarde, um carro-bomba explodiu na região oeste de Tal Afar e cinco minutos depois, um suicida se explodiu em meio à multidão que acorreu ao lugar da primeira explosão", disse o prefeito da cidade, Abid al-Abbas. "No total, 14 pessoas foram mortas e 15 feridas", disse Al-Abbas. O governador da província de Nínive, Athil al-Nujaifi, disse mais cedo que 13 pessoas foram mortas e 15 feridas por um carro-bomba e um homem-bomba suicida. Mas baixas diferentes são comuns após atentados no Iraque. Autoridades locais confirmaram mais tarde que 14 pessoas foram mortas e pelo menos 24 ficaram feridas. O ataque ocorreu perto de um restaurante cheio, ainda no horário de almoço.

Tal Afar é uma cidade habitada majoritariamente por turcos étnicos e que são muçulmanos xiitas. A maioria dos habitantes da província de Nínive, contudo, é de árabes sunitas. A cidade fica 380 quilômetros ao noroeste de Bagdá e o atentado desta quarta-feira aconteceu dois dias após supostos militantes da Al-Qaeda terem atacado a cidade de Haditha, no oeste do Iraque, massacrando 27 policiais.

Já na capital iraquiana aconteceram dois ataques nesta quarta-feira. Supostos insurgentes instalaram bombas em veículos - uma em um táxi e outra em um ônibus, que mataram três pessoas e feriram nove, disse um funcionário do Ministério do Interior em Bagdá.

Tal Afar foi palco de combates entre tropas norte-americanas e extremistas. Em 2005, soldados dos EUA e do governo iraquiano atacaram extremistas na província de Nínive e nos arredores de Tal Afar. Mas os insurgentes conseguiram se infiltrar na cidade e em 2007 fizeram um atentado devastador com um caminhão-bomba contra o mercado de Tal Afar, que deixou 152 pessoas mortas. Turcos xiitas e a polícia desfecharam então uma matança vingativa contra os sunitas, massacrando pelo menos 70 pelas ruas e prolongando um ciclo de violência, até que a população se acalmou.

Os ataques desta quarta-feira mostram que Tal Afar "ainda é um lugar perigoso e permanece uma fortaleza da Al-Qaeda em Nínive, usada por insurgentes que cruzam a fronteira para a Síria", disse al-Abbas. Os extremistas sunitas, segundo ele, fazem o contrabando de armas para a Síria e também combatem do outro lado da fronteira contra o governo do presidente Bashar Assad, que é alauita (uma dissidência do xiismo).

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