PRIMAVERA ÁRABE

Incerteza sobre estado de saúde de Mubarak e protestos no Egito

Ex-presidente foi declarado clinicamente morto, informação depois negada. Mubarak estaria em coma

Fabiane Cavalcanti
Fabiane Cavalcanti
Publicado em 19/06/2012 às 23:40
AFP
AFP
Leitura:

CAIRO - O ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, 84 anos, foi declarado clinicamente morto, após sofrer um AVC, anunciou a agência oficial Mena, enquanto uma fonte médica militar informava o "estado de coma", com os médicos tentando reanimá-lo. "Fontes médicas disseram à Mena que seu coração parou de bater e não respondeu à desfibrilação", informou a agência. Em seguida, um oficial médico indicou à AFP que Mubarak está em coma: "Os médicos tentam reanimá-lo. Ele respira com a ajuda de aparelhos." Um membro do Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA, no poder) confirmou à AFP, sob anonimato, que o ex-presidente está em estado de coma e não em "morte clínica". 

Segundo fontes da segurança egípcia, Suzanne, mulher de Mubarak, foi ao hospital para ficar ao lado do marido. O ex-presidente havia deixado pouco antes a prisão de Tora, onde cumpre pena, sendo levado para o hospital militar Maadi, a poucos quilômetros de distância. 

Horas antes, a agência Mena havia informado que Mubarak tinha sofrido um AVC, após uma rápida deterioração de seu estado de saúde: "O coração do ex-presidente parou, e ele recebeu atendimento médico com o uso de um desfibrilador". Mubarak havia sido submetido a duas desfibrilações no último dia 11, após sofrer dois ataques cardíacos. 

A saúde do ex-presidente, que governou o Egito por mais de 30 anos, teria começado a piorar após a sua prisão. Fontes da segurança indicaram que ele sofria de depressão aguda e hipertensão, e apresentava dificuldades respiratórias. 

AFP
Filas em seção eleitoral no Cairo - AFP
AFP
Egípcios procuram nome nas listas eleitorais. 50 milhões estão inscritos, mas voto não é obrigatório - AFP
AFP
Egípcio vota em seção no Cairo - AFP
AFP
Egípcio mostra dedo com tinta que indica que já votou - AFP
AFP
Mulher usando um nigab mostra dedo marcado com tinta - AFP
AFP
O candidato Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, partido islamita é aclamado após votar - AFP
AFP
O candidato Ahmed Shafiq, o último premiê de Mubarak, chega para votar - AFP
AFP
Contagem de votos é manual - AFP
AFP
Contagem dos votos - AFP
AFP
Partidários de Mursi acompanha eleição no quartel-general da Irmandade - AFP
AFP
Generais Mamduh Shahin (D) e Mohamed al-Asaar durante coletiva sobre decreto da Junta Militar - AFP
AFP
Militantes da Irmandade Muçulmana comemoram antecipadamente na Praça Tahrir - AFP
AFP
Militantes da Irmandade Muçulmana comemoram antecipadamente na Praça Tahrir - AFP
AFP
Militantes da Irmandade Muçulmana comemoram antecipadamente na Praça Tahrir - AFP
AFP
Mohamed Mursi se declarou vencedor da eleição, mas resultados só sai na quinta - AFP
AFP
Militantes da Irmandade Muçulmana comemoram antecipadamente vitória na eleição - AFP
AFP
Votos anulados no Egito - AFP
AFP
Militante da Irmandade Muçulmana comemora segurando o Corão, livro sagrado do Islã - AFP
AFP
Mohamed Mursi reza pela morte do sucessor do rei da Arábia Saudita - AFP
AFP
Partidários da Irmandade Muçulmana ocupam a Praça Tahrir para protestar contra junta militar - AFP
AFP
Partidários da Irmandade Muçulmana ocupam a Praça Tahrir para protestar contra junta militar - AFP
AFP
Membros da Irmandade Muçulmana comemoram suposta vitória e protestam contra militares na Tahrri - AFP
AFP
Partidários da Irmandade Muçulmana ocupam a Praça Tahrir para protestar contra junta militar - AFP
AFP
Partidários da Irmandade Muçulmana ocupam a Praça Tahrir para protestar contra junta militar - AFP
AFP
Partidários do ex-premiê de Mubarak, Ahmed Shafiq, também reivindicam a vitória - AFP
AFP
Hosni Mubarak em foto de 13/10/2009. Ontem, o ex-ditador condenado a prisão perpétua entrou em coma - AFP
AFP
Junta Militar mandou soldados bloquear entrada do Parlamento, que foi dissolvido - AFP
AFP
Parlamentar Mohammed Aouf protesta contra dissolução do Parlamento, cercado por militares - AFP

O anúncio do agravamento do estado de saúde de Mubarak é feito no momento em que milhares de egípcios se manifestam na Praça Tahrir, no Cairo, para denunciar o "golpe de Estado constitucional" dos militares, que acaba de criar prerrogativas que permitem às Forças Armadas controlar o país seja qual for o resultado oficial das eleições presidenciais. 

Os dois protagonistas da disputa - o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohamed Mursi, e o ex-primeiro-ministro de Mubarak Ahmed Shafiq - asseguram ter vencido a votação, cujos resultados oficiais serão conhecidos nesta quinta-feira. 

As manifestações foram convocadas por organizações de militantes pró-democracia e pela Irmandade Muçulmana, maior força política do país e adversária histórica dos militares, que dominam o sistema desde a queda da monarquia, em 1952. 

O Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), no poder desde a queda de Mubarak, em fevereiro de 2011, confirmou nesta segunda-feira sua vontade de entregar o Executivo ao futuro presidente até o fim do mês, mantendo o poder Legislativo e o controle de outros setores institucionais, em nome de um "equilíbrio de poderes". 

Na prática, o próximo chefe de Estado não poderá implementar leis sem a aprovação dos militares, que decidiram retomar o Legislativo, após a dissolução da Assembleia do Povo, dominada pelos islâmicos. 

O Exército se reserva também o direito de interferir na redação da futura Constituição, e manterá o controle do sistema repressor, graças ao serviço secreto e à polícia militar, autorizados a prender civis. 

É responsável, igualmente, pelas questões que lhe dizem respeito diretamente, protegendo-se de eventuais mudanças promovidas pelo futuro presidente. 

O anúncio oficial do resultado das eleições presidenciais, daqui a dois dias, divide o país e suscita temores de novas tensões. 

O candidato da Irmandade Muçulmana proclamou ontem sua vitória, com 52% dos votos. Mas os partidários de Shafiq garantem que ele lidera os resultados provisórios, e acusaram os islâmicos de tentar "roubar" a Presidência. 

Os Estados Unidos manifestaram uma "preocupação profunda" com os poderes assumidos pela junta militar egípcia. Washington espera que o CSFA transfira "todo o poder para um governo civil democraticamente eleito, como havia anunciado anteriormente", declarou o porta-voz do Ministério da Defesa, George Little. 

A União Europeia saudou, por sua vez, a "principal etapa" da eleição presidencial no Egito, mas pediu respeito à transição democrática, considerando que a situação institucional e legal deve ser "esclarecida o quanto antes". 

 

Newsletters

Ver todas

Fique por dentro de tudo que acontece. Assine grátis as nossas Newsletters.

Últimas notícias