RÚSSIA

Artistas defendem grupo punk que protestou contra Putin

Banda Pussy Riot cantou uma "oração" contra o presidente russo dentro da catedral de Moscou e integrantes podem ser condenadas a sete anos de prisão

Wilfred Gadelha
Wilfred Gadelha
Publicado em 27/06/2012 às 16:35
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Banda Pussy Riot cantou uma "oração" contra o presidente russo dentro da catedral de Moscou e integrantes podem ser condenadas a sete anos de prisão - FOTO: Facebook
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MOSCOU - Mais de 100 importantes artistas russos, como o cineasta Andrei Konchalovsky e a escritora Liudmila Ulitskaia, manifestaram-se nesta quarta-feira 27 em defesa das meninas do grupo Pussy Riot, presas por cantarem uma "oração punk" contra Vladimir Putin na catedral de Moscou.

"A 'intelligentsia' exige a libertação das Pussy Riot", é o título da carta aberta, publicada no site da rádio Eco de Moscou.

A oração improvisada por Nadejda Tolokonikova, María Alejina e Ekaterina Samutsevich, em prisão preventiva há quatro meses, foi chamada de Maria mãe de Deus, expulsa Putin . Veja o vídeo aqui. As três podem ser condenadas a sete anos de prisão por vandalismo.

"Não há fundamento jurídico nem razão prática para manter fora da sociedade estas jovens, que não apresentam nenhum perigo", declaram os artistas.

A Suprema Corte russa reagiu e disse que não tolerará "nenhuma pressão".

"Temos opiniões divergentes sobre o caráter moral e ético da ação de fevereiro na catedral", escreveram na carta.

"Contudo estas jovens não mataram, não roubaram nem praticaram violência. A Rússia é um Estado laico, e nenhum ato anticlerical que não esteja previsto por um artigo do código penal pode ser objeto de diligências penais", argumentam.

Muitas personalidades da comunidade cristã ortodoxa desaprovaram a gravidade das acusações apresentadas contra as jovens e a sua detenção. Também denunciaram a posição do patriarcado de Moscou, que quer castigá-las severamente.

As jovens afirmaram que com a canção queriam simplesmente denunciar "o conluio da Igreja e do Estado" na Rússia.

A Anistia Internacional e a ONG russa Memorial também exigiram a libertação das jovens, e o responsável pelos direitos humanos no Kremlin, Vladimir Lukin, pediu que elas fossem tratadas com uma atitude cristã.

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