CRISE POLÍTICA

OEA vai enviar missão de observadores ao Paraguai

Decisão foi anunciada após reunião acalorada e sem consenso do conselho da organização em Washington

Fabiane Cavalcanti
Fabiane Cavalcanti
Publicado em 27/06/2012 às 0:01
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WASHINGTON - O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, anunciou nesta terça-feira (26/6) que enviará uma missão ao Paraguai para avaliar a situação após a destituição do presidente Fernando Lugo. 

Insulza fez o anúncio ao final de uma longa e acalorada reunião extraordinária da OEA em Washington, que não obteve consenso entre os 34 membros do organismo continental sobre as medidas a adotar envolvendo o Paraguai. 

"Considero meu dever reunir todos os antecedentes que este conselho requer para poder tomar suas decisões", anunciou Insulza sobre a missão, sem dar detalhes sobre sua composição ou liderança. 

A missão, que tem a intenção de se reunir com Lugo, destituído na sexta-feira passada em um impeachment sumário, seria liderada pelo próprio Insulza e chegaria a Assunção já neste final de semana, segundo fontes da OEA. 

A decisão da OEA sobre a situação no Paraguai também aguardará os resultados da cúpula da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) nesta sexta-feira, na cidade argentina de Mendoza, atendendo à solicitação de vários países do bloco, principalmente o Brasil. 

"O Brasil gostaria de fazer uma solicitação" para que não se tome qualquer decisão "antes de termos a oportunidade de ouvir as posições dos mandatários da Unasul", disse o representante brasileiro, Breno de Souza Proposto por Honduras, o envio da missão ao Paraguai para analisar a situação foi apoiado por 25 países, incluindo Estados Unidos, Canadá e México, enquanto Nicarágua, Venezuela, Equador e Bolívia exigiram a condenação do "golpe parlamentar" e a expulsão do país da OEA. 

"Que sentido tem formar uma missão especial quando o golpe de estado já está concluído?" - perguntou o embaixador da Nicarágua, Denis Moncada, ao pedir ações mais enérgicas Segundo Insulza, "o principal é estabelecer bem qual é a situação, conversar com os distintos grupos" e tratar "de obter um acordo entre as partes". 

Durante a reunião, o representante do novo governo paraguaio, o embaixador Bernardino Saguier, pediu à OEA o "respeito sublime à autodeterminação" do povo do Paraguai, e que se evite "aplicar ou estimular medidas coercitivas de caráter econômico e político". 

Federico Franco "é o legítimo presidente" e no Paraguai "vigora a mais absoluta paz e tranquilidade", garantiu Saguier. 

 

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