Síria

Assad pede apoio popular e culpa 'intervenção estrangeira'

Presidente sírio acusou agentes internacionais de financiarem os protestos contra seu governo

Milton Raulino
Milton Raulino
Publicado em 05/07/2012 às 15:07
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ANCARA - O presidente da Síria, Bashal Al-Assad, insistiu que possui apoio popular em seu país e afirmou que a intervenção estrangeira acontece principalmente para culpá-lo pelo conflito, em uma entrevista publicada nesta quinta-feira (5).

"Ao fim do dia, nós somos humanos também", afirmou ao jornal turco Cumhuriyet. "Nós podemos cometer enganos", disse, referindo-se à forma como sua administração reagiu aos protestos públicos que tiveram início em março do ano passado.

Mas o presidente insistiu que a intervenção estrangeira era responsável pelo conflito em seu país. Ele acusou agentes internacionais de financiarem os protestos. "Qualquer intervenção estrangeira aumenta nossos próprios erros e isso é ainda mais destrutivo", ele afirmou ao jornal, que publicou as duas primeiras partes da entrevista em dias anteriores.

Assad disse que tem o apoio da população síria, que o manteve no comando do país, mesmo diante dos "cálculos sem importância das outras pessoas". Ele acrescentou: "Eu já teria caído sem o apoio da população síria" Poderes internacionais, "liderados pelos Estados Unidos" deveriam parar de apoiar a oposição, afirmou.

Assad também acusou países vizinhos da Síria de apoiar os "terroristas" dentro de seu país. Em um trecho anterior da entrevista publicado nesta quarta-feira, Assad acusou a Turquia de dar apoio logístico aos "terroristas" da Síria.

O ministro das Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, desmentiu a acusação e chamou Assad de mentiroso, em uma resposta publicada pelo Cumhuriyet nesta quinta-feira. "É impossível acreditar em Assad, depois de ele ter assassinado 20.000 pessoas em um ano", afirmou Davutoglu.

A Turquia abriga o principal corpo de operação dos rebeldes do Exército Livre da Síria, que lidera as operações dentro do país vizinho sob a liderança do coronel Riad Al-Assad. A Turquia tem negado reiteradamente que permita ataques à Síria feitos a partir de seu território e insiste que não dá nenhum tipo de apoio ao Exército Livre da Síria, como alegado pelo país e divulgado na mídia internacional.

No entanto, um grupo de oficiais sírios e desertores do Exército de Assad chegou à Turquia há algumas semanas. A Turquia também está abrigando 35.000 sírios que fugiram das rebeliões em seu país.

Nesta quarta-feira (4), o Exército turco anunciou que havia recuperado os corpos de dois pilotos de um caça turco derrubado pela Síria no mês passado, no oeste do mar Mediterrâneo.

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