Atenas

Jornalista grego que publicou lista é inocentado

Costas Vaxevanis publicou uma lista com os nomes de 2 mil gregos que teriam contas em bancos suíços e foi acusado de violação de privacidade

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 01/11/2012 às 17:59
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Um jornalista grego, Costas Vaxevanis, um experiente repórter de 46 anos, foi declarado inocente na noite desta quinta-feira (1º) em Atenas, após ser acusado de violação de privacidade. Vaxevanis publicou uma lista com os nomes de 2 mil gregos que teriam contas em bancos suíços. Se condenado, poderia pegar até três anos de prisão. O julgamento do jornalista ocorre em um momento de recessão e forte agitação social na Grécia. O desemprego atinge 25% da força de trabalho. Os sindicatos marcaram greve geral para os dias 6 e 7 de novembro, na próxima semana, quando o governo precisa aprovar no Parlamento as novas medidas de austeridade.

Nesta quinta-feira, mais de mil funcionários públicos protestaram em Atenas contra as medidas de austeridade. As manifestações incluíram policiais.

O tribunal não deu nenhum motivo para o veredicto de inocência de Vaxevanis. O julgamento foi acompanhado de perto porque foi visto como um teste para a liberdade de imprensa na Grécia.

Vaxevanis afirmou, antes do veredicto, que o governo grego é hipócrita e que o Judiciário do país é conivente com um sistema político corrupto. A revista "Hot Doc", editada por Vaxevanis, publicou no sábado os nomes de mais de 2 mil gregos que teriam contas em bancos suíços. Os dados são provenientes de uma lista obtida em 2010 pela então ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, e passada para autoridades gregas.

O governo alega que não pôde usar a lista para agir contra potenciais sonegadores de impostos porque os dados foram roubados por um funcionário do banco HSBC antes de serem entregues para Lagarde. Entre os nomes indicados estão o de proeminentes empresários, advogados, médicos, jornalistas, um ex-ministro e companhias.

No total, a lista tem dados de 24 mil clientes do HSBC em vários países, o que expõe vários clientes internacionais do banco a serem investigados por autoridades fiscais se eles não declararam os investimentos e ativos nos países de origem.

Após ser inocentado, Vaxevanis disse que a decisão "permite que os jornalistas na Grécia continuem a trabalhar".

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