Saúde

Cúpula chavista retorna de Cuba e descarta transição na Venezuela

Apontado pelo presidente como seu herdeiro político, Maduro afirmou que o presidente continua "batalhando" por sua saúde

Renata Monteiro
Renata Monteiro
Publicado em 03/01/2013 às 22:34
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A cúpula chavista retornou a Caracas esta quinta-feira, após visitar o presidente venezuelano em Havana, e negou que haja uma "transição" na Venezuela, acusando a oposição de alimentar boatos sobre a saúde do chefe de Estado a sete dias da posse prevista de Chávez.

"Aqui só há uma transição, começou há pelo menos seis anos, e foi decretada pelo comandante Hugo Chávez", disse o vice-presidente Nicolás Maduro, em alusão à transição ao "socialismo", que o presidente pôs em marcha após sua reeleição em 2006.

Apontado pelo presidente como seu herdeiro político, Maduro afirmou que o presidente continua "batalhando" por sua saúde, abalada seriamente por um câncer, e que em breve seria divulgado um novo boletim oficial.

"Chegamos de Havana, Cuba, uma equipe de trabalho que foi ver o presidente Hugo Chávez", explicou Maduro à TV oficial, assegurando que o grupo, do qual faziam parte ele e o presidente da Assembleia, Diosdado Cabello, esteve "nas últimas horas acompanhando o presidente Hugo Chávez, levando-lhe o ânimo e a força do povo da Venezuela".

O vice-presidente, que ficou cinco dias ao lado de seu mentor, acusou a oposição e em especial o secretário-geral da Mesa da Unidade Democrática (MUD), Ramón Guillermo Aveledo, a quem responsabilizou por "todas as campanhas de rumores insanos" sobre o estado de saúde do chefe de Estado. .

"Pedimos-lhe mais uma vez respeito pela luta do presidente Chávez para recuperar plenamente sua saúde em uma situação complexa", disse Maduro em alusão a Aveledo, que na quarta-feira reivindicou "um diagnóstico e um prognóstico médico" ao governo sobre o estado de saúde do mandatário.

"Com esta oposição (...) não há conciliação possível", sentenciou Cabello, que além de presidente da Assembleia Nacional é o número dois do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), e que no próximo sábado pode ser reeleito à presidência do Parlamento.

Maduro também acusou a direita e a mídia internacional de "ter tentado manipular um conjunto de elementos" sobre a relação bilateral com os Estados Unidos, depois de um contrato entre os dois governos, confirmado esta quinta-feira por Washington.

Assegurou, ainda, que a situação está "mais unida do que nunca", desmentindo supostas divisões que existiriam entre ele e Cabello.

Em Havana se reuniram além de Maduro e Cabello, Adán Chávez, o mais político dos irmãos do presidente e governador do estado de Barinas, a procuradora Cilia Flores, e o genro de Chávez e ministro de Ciência e Tecnologia, Jorge Arreaza.

"Vamos manter o ritmo de coesão, de funcionamento das instituições. Antes do que se pensa vamos ver nosso comandante em sua pátria", afirmou Maduro.

Segundo a Constituição, Chávez, reeleito em outubro passado, deve assumir um quarto período de governo em 10 de janeiro perante a Assembleia Nacional, mas seu estado de saúde pode impossibilitar sua presença.

Cabello afirmou na semana passada que a data de 10 de janeiro é adiável e que Chávez poderia assumir seu novo mandato mais adiante, perante o Supremo Tribunal de Justiça.

Na mesma linha, o vice-presidente da Assembleia e membro da direção nacional do PSUV, Aristóbulo Istúriz, avaliou esta quinta-feira que "se o presidente não pode prestar juramento, deve se manter presidente até o momento em que se estabeleçam os mecanismos para o juramento".

Desde que Chávez foi operado em Havana, não foi publicado nenhum boletim médico e os venezuelanos não viram nenhuma imagem nem escutado sua voz.

Para o oposicionista Aveledo, "em 10 de janeiro começa um novo período constitucional, se o presidente se apresenta, se apresentou. Se o presidente não se apresenta, corresponde ao presidente da Assembleia Nacional assumir como encarregado a presidência da República transitoriamente, como diz a Constituição".

Aveledo insiste em que se Chávez não se apresenta ao juramento, seja declarada sua "falta temporária" e, caso seja necessário, a "falta absoluta", que se aplica, entre outros, em casos de renúncia, morte ou incapacidade física permanente, que deve ser determinada por uma junta médica.

A Constituição prevê que se a falta absoluta do presidente for declarada, devem ser celebradas novas eleições em 30 dias.

O prefeito de Caracas, o opositor Antonio Ledezma, propôs esta quinta-feira que seja nomeada uma comissão política e médica, com a participação da oposição, que viaje a Cuba para "constatar em primeira mão a realidade sobre a saúde do presidente".

Antes de viajar a Havana para ser operado, Chávez anunciou que Maduro assumiria a presidência temporariamente caso ele ficasse "incapacitado" e seria o candidato da situação em novas eleições.

O candidato derrotado por Chávez nas presidenciais de outubro, Henrique Capriles, que tinha aceitado um eventual adiamento do juramento de Chávez e seria o mais provável adversário de Maduro nas urnas, afirmou na quarta-feira em mensagem publicada no microblog Twitter que "as respostas à incerteza que o governo gerou estão na Constituição".

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