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Libéria quer poderes excepcionais para combater ebola

O governo de Sirleaf impôs um estado de emergência de três meses iniciado em 6 de agosto

Karol Albuquerque
Karol Albuquerque
Publicado em 10/10/2014 às 14:38
Foto: ERIC PIERMONT / AFP
O governo de Sirleaf impôs um estado de emergência de três meses iniciado em 6 de agosto - FOTO: Foto: ERIC PIERMONT / AFP
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O Legislativo da Libéria debate nesta sexta-feira (10) a possibilidade de conceder à presidente Ellen Johnson Sirleaf mais poderes para restringir a movimentação e reuniões públicas por causa da luta contra o ebola. Um parlamentar afirmou, porém, que o país pode se tornar um "Estado policial". 

Meios de comunicação estatais disseram que a Câmara dos Representantes se reuniria para um sessão especial nesta sexta-feira para discutir as medidas propostas por Sirleaf, detalhadas numa carta de 1º de outubro. 

As controversas propostas incluem o poder de restringir reuniões públicas e a apropriação de propriedade "sem qualquer tipo de pagamento ou outro processo judicial" para combater o Ebola. A carta diz também que Sirleaf pode "limitar o direito de reunião por qualquer razão"

O governo de Sirleaf impôs um estado de emergência de três meses iniciado em 6 de agosto. O comunicado da medida advertiu que a ação envolveria a suspensão de alguns direitos e privilégios. 

As propostas atraíram protestos assim que foram lidas durante uma sessão plenária no início deste mês. Uma manchete no jornal Women Voices desta semana perguntava"Tempos tiranos ou medidas preventivas contra o ebola?"

"Vejo uma espécie de estado policial surgindo", disse o deputado Bhofal Chambers, que era partidário de Sirleaf, mas desde a apresentação das medidas passou para a oposição. 

Em agosto, a maior favela da capital do país foi colocada em quarentena, o que provocou tumultos. A medida foi ridicularizada e considerada contraproducente antes de ser cancelada. 

O Comitê de Proteção aos Jornalistas acusa do governo de Sirleaf de tentar silenciar empresas de comunicação que criticam sua conduta. 

Na quinta-feira, a polícia liberiana usou cassetetes e chicotes para dispersar 100 manifestantes que protestavam contra as propostas de concessão de novos poderes à presidente. O ativista estudantil Benedict B. Williams pediu aos parlamentares que não as aprove. 

"Na minha opinião, as pessoas têm o direito de se reunir", afirmou Williams. "Isso equivale a uma ditadura. A polícia foi bruta com pessoas da comunidade estudantil."

A Libéria é bastante atingida pelo surto de ebola, registrando mais de 2.200 mortes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O número total de mortos até quarta-feira era de 3.865.

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