Egito

Jornalistas da Al-Jazeera detidos no Egito terão novo julgamento

Homens são acusados de ter publicado informações falsas em apoio à Irmandade Muçulmana de Mursi

Da AFP
Da AFP
Publicado em 01/01/2015 às 12:05
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A justiça egípcia ordenou nesta quinta-feira a realização de um novo julgamento para os jornalistas da rede de televisão do Catar Al-Jazeera condenados por apoiar a Irmandade Muçulmana do presidente deposto Mohamed Mursi e que por enquanto permanecerão presos.

As famílias do australiano Peter Greste, do egípcio-canadense Mohamed Fadel Fahmy e do egípcio Baher Mohamed esperavam, no entanto, uma libertação devido à recente aproximação entre Cairo e Doha.

Os três foram detidos em dezembro de 2013. Em junho, os dois primeiros foram condenados a sete anos de prisão e o terceiro a dez, penas que provocaram condenação internacional.

Após uma breve audiência, o Tribunal de Cassação, a mais alta jurisdição do país, ordenou um novo julgamento ante outro tribunal, aceitando, assim, as demandas do Ministério Público e dos advogados de defesa, segundo o advogado de Greste, Amr al-Deeb.

Mas os três jornalistas, acusados de ter publicado informações falsas em apoio à Irmandade Muçulmana de Mursi, o presidente islamita deposto pelo exército em julho de 2013, permanecerão na prisão, acrescentou Deeb.

"O tribunal de Cassação não pode ordenar sua libertação sob fiança", indicou à AFP o advogado. "É o novo tribunal que os jugará novamente que poderá fazê-lo", explicou.

Decepção

Deveríamos estar felizes porque aceitaram a apelação, mas esperava a libertação do meu irmão", indicou aos jornalistas Adel, irmão de Fahmy.

A rede Al-Jazeera pediu em um comunicado que o novo julgamento seja rápido, informando que, segundo os advogados da defesa, pode durar entre 12 e 18 meses.

Os três jornalistas estão "injustamente detidos há mais de um ano", lamentou a rede em uma nota.

Quando foram detidos em um quarto de hotel transformado em escritório no Cairo, os repórteres não tinham o credenciamento obrigatório para a imprensa.

O caso ocorreu em plena crise entre Egito e Catar após a deposição de Mursi por parte do ex-chefe do exército e atual presidente, Abdel Fatah al-Sissi.

O Cairo critica Doha por apoiar a Irmandade Muçulmana, sobretudo através da Al-Jazeera, cujas redes de língua árabe denunciaram a expulsão de Mursi e a sangrenta repressão contra seus partidários.

Ao menos 1.400 manifestantes pró-Mursi morreram após sua destituição, mais de 15.000 partidários foram detidos e centenas condenados à morte.

Mas a visita inédita de um emissário do emir do Catar ao Cairo em 20 de dezembro ilustrou uma aproximação entre os dois países: o Egito falou de uma nova era, enquanto Doha expressou seu apoio total ao governo de Sissi.

Dois dias mais tarde, a Al-Jazeera anunciou de surpresa o fechamento de sua antena egípcia.

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