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Morte de promotor não beneficiou ninguém, diz chanceler argentino

Alberto Nisman foi encontrado morto em sua casa, em Buenos Aires, na véspera de seu testemunho no Congresso

Da AFP
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Publicado em 12/02/2015 às 8:38
Foto: AFP
Alberto Nisman foi encontrado morto em sua casa, em Buenos Aires, na véspera de seu testemunho no Congresso - FOTO: Foto: AFP
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O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Héctor Timerman, disse, em entrevista ao jornal americano "The Washington Post", que nem ele, nem a presidente Cristina Kirchner se beneficiaram da morte do promotor Alberto Nisman. A morte causou comoção na Argentina.

"Quem se beneficiou da morte do senhor Nisman? Eu, não. E tampouco a presidente", declarou o ministro ao "Post".

Nisman havia denunciado Timerman e Cristina, entre outros funcionários de alto escalão do governo, de tentar atrapalhar as investigações sobre o atentado à Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), no centro de Buenos Aires, em 1994.

Segundo o promotor, em troca de acordos comerciais, o governo teria buscado um acordo com o Irã para que os suspeitos pelo atentado escapassem da Justiça.

Alberto Nisman foi encontrado morto em sua casa, em Buenos Aires, na véspera de seu testemunho no Congresso sobre as denúncias feitas contra o governo Kirchner.

Na entrevista ao "Post", Timerman lembrou de sua própria condição de judeu e das perseguições sofridas por sua família durante a ditadura militar argentina (1976-1983) para descartar a ideia de um acordo de absolvição com o Irã.

"Não vou jogar pela janela a minha história, a história da minha família, a história do meu governo, a dos meus amigos que foram mortos durante a ditadura militar", frisou.

"Para quê? Para obter o quê? Petróleo? A Argentina não importa petróleo. Não precisamos de petróleo", completou. "É ridículo pensar que proporíamos um acordo, do tipo econômico, para esquecer esse caso", insistiu o ministro.

O chanceler argentino se negou a fazer especulações sobre as circunstâncias da morte de Nisman, mas lembrou que o próprio promotor lhe havia dito ter "conexões fortes com os serviços de Inteligência, com a CIA e com o Mossad, mas não sei".

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