África

Novo ataque de mulher-bomba no noroeste da Nigéria

Estes novos episódios de violência ocorrem no momento em que as tropas de vários países vizinhos combatem o Boko Haram, que atua desde 2009 na Nigéria

Da AFP
Da AFP
Publicado em 12/02/2015 às 16:13
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Um atentado suicida realizado por uma mulher-bomba em um mercado lotado em Biu, no estado de Borno (nordeste da Nigéria) deixou ao menos sete mortos nesta quinta-feira.

"Eu contei sete pessoas (mortas) no local e mais de 20 outras sangravam gravemente", declarou à AFP uma testemunha, Zakka Emmanuel.

Além disso, dezenas de combatentes do grupo Boko Haram atacaram esta semana a cidade de Kanamma, no estado de Yobe (noroeste da Nigéria), onde vários policiais foram mortos, informaram nesta quinta-feira fontes de segurança e testemunhas.

Na mesma região, um ataque suicida foi frustrado na quarta-feira em Potiskum, a capital econômica de Yobe. O atentado visava a sede de campanha do governador do estado, Ibrahim Geidam, segundo as testemunhas.

O ataque a Kanamma ocorreu na segunda-feira, mas só foi comunicado nesta quinta-feira em razão das dificuldades de comunicação com a área, de acordo com várias fontes de segurança e moradores contactados pela AFP a partir de Kano, a maior cidade do norte.

Os agressores estavam armados com fuzis e explosivos e atacaram um posto policial na cidade, disseram as fontes.

"Os terroristas dominaram nossos homens e incendiaram a delegacia de polícia", eles "sequestraram o delegado, cujo corpo foi encontrado no meio do mato", declarou uma fonte da segurança que pediu para não ser identificado.

Vários outros policiais foram mortos, segundo a fonte, que não foi capaz de precisar o número de vítimas.

Estas informações foram confirmadas à AFP por um residente de Kanamma, Maina Kachalla, segundo quem a delegacia foi destruída e incendiada.

Em Potiskum, um homem tentou se infiltrar na sede de campanha do governador de Yobe, Ibrahim Geidam, mas foi impedido por uma multidão que o considerou suspeito ao vê-lo rondando o local, indicaram várias testemunhas.

Perseguido, ele fugiu para um prédio abandonado, onde se explodiu, explicou uma testemunha, Abubakar Ubale, cujo relato foi confirmado por outras duas pessoas que estavam presentes na cena do crime.

Potiskum havia registrado sete mortos em um atentado suicida em 1º de fevereiro. No dia seguinte, o presidente nigeriano Goodluck Jonathan, candidato à sua sucessão, havia escapado de um atentado na saída de um comício no estádio de Gombe (nordeste). A explosão ocorreu poucos minutos após sua saída.

Esperanças na guerra contra o Boko Haram

Estes novos episódios de violência ocorrem no momento em que as tropas de vários países vizinhos combatem o Boko Haram, que atua desde 2009 na Nigéria. O grupo armado controla vastos territórios no nordeste e tem multiplicado seus ataques em Estados vizinhos.

Os países da região - Chade, Níger, Nigéria, Camarões e Benim - concordaram em 7 de fevereiro em mobilizar 8.700 homens em uma força militar regional contra o grupo islâmico.

A ofensiva militar regional em curso foi citada como a razão oficial para o adiamento em seis semanas das eleições presidenciais, legislativa e parlamentar na Nigéria, inicialmente previstas para 14 de fevereiro. 

A nova data foi fixada em 28 de março pela Comissão Eleitoral Nacional Independente (INEC), a pedido da Agência de Segurança Nacional (NSA).

A justificativa da NSA é que se as eleições fossem realizadas em 14 de fevereiro, as forças de defesa não estariam disponíveis para garantir a sua segurança, já que estariam mobilizadas contra Boko Haram.

O presidente Jonathan, muito criticado em seu país e no exterior por sua incapacidade de parar os ataques do Boko Haram durante os seis anos de insurgência declarou estar confiante.

"Estamos muito esperançosos de que, nas próximas semanas, as operações militares vão se acelerar", antes das eleições no final de março, disse em uma entrevista transmitida ao vivo por várias cadeias nacionais.

"Mas eu não digo que nós vamos destruir Boko Haram" neste período, indicou.

Na Nigéria, analistas e habitantes estão céticos sobre as chances reais de sucesso militar em seis semanas contra um grupo que cresceu e se fortaleceu por tandos anos.

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