Segunda Guerra

Alemanha lembra o 70º aniversário do bombardeio contra Dresden

Reduzida a escombros, esta joia da arte barroca reconstruída à semelhança da original, com 8.400 peças do prédio destruído, foi reinaugurada há dez anos

Da AFP
Da AFP
Publicado em 13/02/2015 às 11:59
Foto: AFP
Reduzida a escombros, esta joia da arte barroca reconstruída à semelhança da original, com 8.400 peças do prédio destruído, foi reinaugurada há dez anos - FOTO: Foto: AFP
Leitura:

Dresden recorda nesta sexta-feira o 70º aniversário dos bombardeios aliados que destruíram grande parte desta cidade do leste da Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial e nos quais morreram cerca de 25.000 pessoas.

Entre os eventos programados, uma cerimônia reunirá o presidente da República Federal, Joachim Gauck, na Frauenkirche, a igreja luterana icônica do renascimento da cidade.

Reduzida a escombros, esta joia da arte barroca reconstruída à semelhança da original, com 8.400 peças do prédio destruído, foi reinaugurada há dez anos.

Ocorridos entre 13 e 15 de fevereiro de 1945, os bombardeios aliados em Dresden cobraram a vida de 25.000 pessoas, segundo as conclusões publicadas em 2010 por uma comissão de historiadores encarregada de estudar este controvertido episódio da Segunda Guerra Mundial.

Durante anos, a extrema-direita alemã tentou instrumentalizar com fins propagandísticos o aniversário desta tragédia, conseguindo reunir cerca de 6.000 neonazistas nas ruas da cidade.

Mas estas concentrações caíram com o tempo, graças a um forte esforço de mobilização dos grupos pacifistas e antirracistas. No ano passado, os manifestantes reuniram apenas umas 500 pessoas, e este ano não há qualquer ato convocado, com exceção de uma cadeia humana contra a extrema-direita.

A quantidade real de vítimas foi controversa durante anos, até que em 2004 foi criada uma comissão de especialistas para determinar com exatidão o balanço desses bombardeios estratégicos.

Estabelecido o número mais provável de mortos em 25.000, certos historiadores consideram que, em comparação com os objetivos militares que se pretendiam conseguir, o ataque foi desproporcional.

A capital da Saxônia foi bombardeada pela aviação britânica e americana durante 37 horas, nas quais 3.600 aviões lançaram 650.000 bombas incendiárias, convertendo a chamada "Florença do Elba", conhecida por seu rico patrimônio cultural, em um campo de ruínas.

Setenta anos depois do fim do conflito bélico, a cidade continua sendo um símbolo do horror vivido pela população alemã durante a guerra.

Entre outubro de 2014 e janeiro deste ano, Dresden foi cenário de manifestações racistas, anti-Islã e antirrefugiados, convocadas pelo movido Pegida, que chegou a levar 25.000 pessoas às ruas.

Paradoxalmente, esta cidade de cartão postal de meio milhão de habitantes e situada 200 km ao sul de Berlim não tem apenas uma população muçulmana. O Estado da Saxônia conta com 2,5% de estrangeiros, a maioria proveniente da Rússia e do leste europeu.

A prefeita de Dresden, a conservadora Helma Orosz, enfatizou que as cerimônias desta sexta-feira devem servir para mostrar ao mundo "os verdadeiros valores da cidade".

O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias