Terror

Tunísia implementa plano de segurança após chacina na praia

Ataque foi cometido por um estudante tunisiano de 23 anos e reivindicado pelo grupo Estado Islâmico

Da AFP
Da AFP
Publicado em 01/07/2015 às 12:12
Foto: AFP
Ataque foi cometido por um estudante tunisiano de 23 anos e reivindicado pelo grupo Estado Islâmico - FOTO: Foto: AFP
Leitura:

Agentes armados devem ser mobilizados a partir desta quarta-feira na Tunísia para garantir a segurança nas praias e locais turísticos, após o sangrento atentado em um hotel à beira-mar que fez 38 vítimas, todas elas já identificadas.

"Todos os corpos foram identificados. Entre eles estão 30 britânicos", declarou o diretor dos serviços de emergência do ministério da Saúde, Naoufel Somrani.

Dois alemães, três irlandeses, uma portuguesa de cidadania brasileira, uma belga e uma russa também estão entre as vítimas. Um policial tunisiano também foi morto no ataque.

Os corpos de oito britânicos e dos três irlandeses devem ser repatriados ainda nesta quarta-feira, segundo o diretor. Londres enviou agentes da Scotland Yard para participar das investigações.

Logo após o ataque, cometido por um estudante tunisiano de 23 anos e reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI), o governo anunciou que a polícia turística seria armada - pela primeira vez na história - como parte de um plano "excepcional".

Cerca de mil agentes da segurança armados devem reforçar a partir desta quarta-feira a segurança nos hotéis, praias e locais turísticos e arqueológicos.

"Começamos a implantar (unidades) e em uma hora policiais armados estarão nos hotéis", assegurou à AFP o porta-voz do ministério do Interior, Mohamed Ali Aroui.

Mas em Cartago, Gammarth e Sidi Bou Said, colocais populares entre os turistas nos arredores de Túnis, os policiais adicionais prometidos não tinham chegado nesta manhã, observaram jornalistas da AFP.

As autoridades da segurança "estão ocupadas em despachar (os reforços), a Hammamet (balneário ao sul de Túnis)" e além, assegurou Aroui.

"Não acredito que eles virão", declarou, desiludido, o guarda de um hotel de 5 estrelas em Gammarth sobre os reforços, refletindo as interrogações de muitos tunisianos sobre a capacidade da polícia para garantir a segurança desses locais.

Na sexta-feira, o atirador, identificado como Seifeddine Rezgui e armado com um rifle Kalashnikov, abriu fogo indiscriminadamente contra os turistas em uma praia e nas piscinas do hotel Imperial Marhaba em Port El Kantaoui, a sul de Túnis.

De acordo com testemunhas, o jihadista pode passear pela praia, nas piscinas e no hotel por mais de 30 minutos antes de ser morto a tiros pela polícia.

Os chefes da segurança do país "não pensaram que isso poderia acontecer nas praias", admitiu o presidente tunisiano Beji Caid Essebsi, acrescentando que, se "falhas" forem averiguadas, "as sanções serão tomadas imediatamente".

O ataque ocorreu três meses após um outro, também reivindicado pelo EI, no Museu do Bardo em Túnis, onde 22 pessoas (21 turistas estrangeiros e um policial tunisiano) foram mortos.

De acordo com as últimas informações das autoridades tunisinas, o autor do atentado recebeu formação no manuseio de armas na Líbia, país mergulhado no caos e separado da Tunísia por uma fronteira porosa.

"Verificamos que ele viajou para a Líbia de maneira ilegal (...) Ele recebeu treinamento em Sabratha (a oeste de Trípoli)", declarou à AFP o secretário de Estado encarregado pela segurança nacional, Rafik Chelly.

O jornalismo profissional precisa do seu suporte. Assine o JC e tenha acesso a conteúdos exclusivos, prestação de serviço, fiscalização efetiva do poder público e muito mais.

Apoie o JC

Últimas notícias