EUTANÁSIA

Adolescente americana com doença crônica decide pelo desligamento dos aparelhos que a mantêm viva

Jerika Bolen foi diagnosticada com Atrofia Muscular Espinhal tipo 2 aos oito meses de idade

JC Online
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Publicado em 19/07/2016 às 11:15
Foto: Reprodução / Facebook
Jerika Bolen foi diagnosticada com Atrofia Muscular Espinhal tipo 2 aos oito meses de idade - FOTO: Foto: Reprodução / Facebook
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A comunidade da cidade de Appleton, no estado americano de Wisconsin, está se preparando para o último baile de verão de uma adolescente de 14 anos. Jerika Bolen sofre de uma doença genética incurável chamada Atrofia Muscular Espinhal tipo 2, e decidiu que está pronta para morrer. Os aparelhos que mantêm a menina viva deverão ser desligados no próximo mês de agosto.

A adolescente foi diagnosticada com a doença aos oito meses de idade, com o passar dos anos, a condição dela foi piorando e hoje a jovem consegue mexer apenas as mãos e a cabeça, de forma limitada. Desde bebê, ela já passou por mais de 30 procedimentos cirúrgicos e atualmente, Jerika só está respirando pois passa pelo menos 12 horas por dia ligada a ventiladores, além disso, a rotina de saúde da menina é intensa, já que ela vive cercada de enfermeiras e cuidados hospitalares durante todo o dia.

Jerika conta que sofre com dores num nível de sete a 10 em dias bons, e que isso já está começando a ser insuportável de lidar. Optar pela eutanásia não foi uma escolha fácil. Ela contou ao jornal local The Post-Crescent que se sentiu feliz e triste ao mesmo tempo ao tomar essa decisão, mas que agora está bem com isso. “Eu estou pronta agora, eu estou pronta há muito tempo, na verdade”, disse ao jornal.

A escolha pela eutanásia aconteceu após a última cirurgia que Jerika enfrentou, no ano passado, quando ela sentiu a maior dor da sua vida. A mãe da adolescente, Jen Bolen, que é mãe solteira, diz que a família procura dar uma vida o mais normal possível para a menina desde o diagnóstico. Após a decisão da filha, Jen está concentrada em realizar seus últimos desejos, que consistem em assistir um show de fogos com os avós, idas ao cinema e uma grande festa para comunidade.

“Se ela está em paz com isso, eu tenho que arrumar um jeito de estar em paz com isso também”, disse a mãe ao Post-Crescent. “Ela já enfrentou muitas coisas nesses 14 anos que a maioria dos adultos nunca irão enfrentar, ela já tem idade suficiente para decidir, é o corpo dela e a dor dela.”

A decisão de Jerika coloca em debate o delicado tema da eutanásia, escolha que o paciente ou a família podem tomar para antecipar a morte desse paciente em casos irreversíveis ou terminais, para que ele não continue sofrendo. Nos Estados Unidos, o procedimento é permitido por lei em apenas cinco estados, no restante do mundo, a prática é autorizada amplamente por lei em apenas outros nove países, incluindo Uruguai e Colômbia na América do Sul. No Brasil, a eutanásia é ilegal e considerada antiética pelo código de medicina.

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